Módulos de nova estação lunar apresenta corrosão

Jared Isaacman confirmou corrosão nos módulos habitáveis HALO e I-HAB, peças centrais da estação Lunar Gateway.

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Ilustração da estação lunar Gateway nas proximidades da Lua.
Ilustração da estação lunar Gateway nas proximidades da Lua. Imagem: NASA

A estação Lunar Gateway, projeto que a NASA planejava montar ao redor da Lua, enfrenta um novo obstáculo. Jared Isaacman, administrador da agência, confirmou em depoimento ao Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara dos Estados Unidos que os dois módulos habitáveis entregues para o projeto apresentaram corrosão.

O problema aumenta a incerteza sobre o futuro da Gateway, que a NASA já havia colocado em pausa em março. A estação serviria como plataforma orbital para apoiar a exploração lunar e testar tecnologias de habitação no espaço profundo.

O que era a Lunar Gateway

Durante cerca de uma década, a NASA promoveu a Gateway como uma pequena estação espacial em órbita da Lua. A ideia envolvia usar o posto como apoio para missões lunares e como laboratório para tecnologias de longa permanência fora da órbita terrestre.

O primeiro componente deveria fornecer energia e propulsão. Ele chegou a ter lançamento previsto para 2022. Depois, a NASA decidiu lançá-lo junto com o módulo habitável HALO, sigla em inglês para Posto Avançado de Habitação e Logística, em 2024.

Outro módulo pressurizado, chamado I-HAB, deveria entrar no complexo em 2026 com contribuição de parceiros internacionais. Porém, esses prazos já ficaram para trás.

Corrosão nos módulos habitáveis

Foto do módulo HALO da estação lunar Gateway em uma sala limpa em Turim, na Itália.
Foto do módulo HALO da estação lunar Gateway em uma sala limpa em Turim, na Itália. Imagem: Thales Alenia Space

A informação mais sensível veio durante perguntas sobre o orçamento da NASA. O deputado Suhas Subramanyam citou o cancelamento de uma encomenda ligada ao HALO.

Isaacman respondeu que pretende discutir possíveis usos do hardware em aplicações na superfície lunar. Em seguida, confirmou o problema.

“Os dois únicos volumes habitáveis que foram entregues, ambos estavam corroídos”, afirmou Isaacman. Segundo ele, a situação provavelmente levaria a aplicação da Gateway para além de 2030.

Um problema de fabricação

Anéis da estrutura pressurizada do módulo Lunar I-Hab para a estação Gateway.
Anéis da estrutura pressurizada do módulo Lunar I-Hab para a estação Gateway. Imagem: ESA-S. Corvaja

A Northrop Grumman confirmou a questão e chamou o caso de “irregularidade de fabricação”. Segundo a empresa, reparos no HALO seguem processos aprovados pela NASA e devem terminar até o fim do terceiro trimestre.

A estrutura primária do HALO foi construída pela Thales Alenia Space, empresa franco-italiana do setor espacial e de defesa. O módulo chegou da Itália aos Estados Unidos há cerca de um ano.

A Thales Alenia Space também trabalha no I-HAB e em outro módulo futuro, chamado ESPRIT, voltado a comunicação e reabastecimento.

A explicação da agência europeia

De acordo com o Ars Technica, a Agência Espacial Europeia informou que iniciou uma investigação abrangente após identificar corrosão no HALO.

“Descobertas preliminares indicam que o problema provavelmente resulta de uma combinação de fatores, incluindo aspectos do processo de forjamento, tratamento de superfície e propriedades dos materiais”, afirmou a agência.

A ESA também criou uma equipe especial para investigar o caso. Segundo a agência, a corrosão no I-HAB parecia tecnicamente administrável e não representava um bloqueio definitivo ao módulo. Mesmo assim, o futuro da participação europeia na iniciativa lunar ainda permanece incerto.

O efeito sobre a corrida lunar

A pausa na Gateway já refletia uma mudança de prioridade. A NASA passou a concentrar esforços na superfície lunar, em vez de manter astronautas em órbita ao redor da Lua.

Agora, a corrosão reforça um problema prático: antes de servir como base avançada no espaço profundo, a infraestrutura precisa superar falhas materiais ainda na Terra.

Após a publicação do caso, a Axiom Space também confirmou fenômeno semelhante em seu primeiro módulo. A empresa afirma que trabalha com NASA e Thales Alenia Space para tratar o problema e mantém o lançamento do Módulo 1 previsto para 2028.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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