Astrônomos usam IA para “ouvir” o Sol

Novo método analisa vibrações na superfície solar para entender mudanças internas ligadas a erupções, satélites e redes elétricas.

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Foto do Sol captado pela sonda Solar Orbit.
Foto do Sol captado pela sonda Solar Orbit. Imagem: ESA

Cientistas desenvolveram uma abordagem com inteligência artificial capaz de interpretar o “batimento acústico” do Sol. A técnica analisa vibrações medidas na superfície solar e pode ajudar a antecipar fases de maior atividade, com impacto direto em satélites, comunicações e redes elétricas.

O Sol também tem sinais internos

O Sol não brilha de forma estática. Ele passa por um ciclo de cerca de 11 anos, no qual sua atividade magnética aumenta e diminui.

No começo, o ciclo tende a parecer mais calmo. Depois, o campo magnético fica mais intenso e favorece manchas solares, erupções solares e ejeções de massa coronal.

Essas explosões podem lançar partículas e energia ao espaço próximo da Terra. Quando chegam ao nosso planeta, elas podem interferir em satélites, sistemas de comunicação e redes de energia.

Como “ouvir” uma estrela

A nova técnica, publicada no Solar Physics, observa vibrações de pressão chamadas modos p. Elas funcionam como ondas sonoras que aparecem na superfície do Sol.

Essas ondas interessam aos cientistas porque viajam para regiões profundas do interior solar e depois retornam. Ao voltar, carregam pistas sobre o que acontece por baixo da superfície.

É possível compara a técnica com a medicina. Assim como um exame de ultrassom usa ondas sonoras para revelar partes internas do corpo, os modos p ajudam a enxergar o interior do Sol sem abrir sua “carcaça” de plasma.

Cromosfera do Sol baseada na imagem SOHO.
Cromosfera do Sol baseada na imagem SOHO. Imagem: ESA & NASA

Trinta anos de dados solares

A pesquisa, liderada por Rekha Jain mostra que um modelo de IA consegue decodificar esses modos p.

Os pesquisadores analisaram 30 anos de dados dessas vibrações. Com isso, projetaram quando o tom dessas ondas deve alcançar a fase mais calma no ciclo solar atual.

Esse detalhe importa porque o “tom” das ondas acompanha o ritmo de 11 anos do Sol. Quando a atividade muda, as ondas também mudam.

Uma nova ferramenta para prever o clima espacial

A previsão dessas vibrações pode oferecer um indicador independente sobre períodos de alta atividade solar. Isso ajuda a ligar mudanças ocultas no campo magnético a distúrbios que escapam para o espaço.

“O Sol governa mais do que a luz do dia; ele energiza e molda a vida na Terra”, afirmou Rekha Jain ao Phys. “Ao usar aprendizado de máquina para ouvir o batimento acústico do Sol, tentamos rastrear os motores de energia que se movem do interior profundo para a superfície e além.”

A área que estuda essas ondas solares se chama helioseismologia. Agora, ela pode ganhar mais peso dentro da previsão do clima espacial.

Por que isso importa para a Terra

A pesquisa combina física solar, magnetohidrodinâmica, aprendizado de máquina e ciência atmosférica. O objetivo é entender melhor como a atividade solar nasce, cresce e afeta tecnologias humanas.

Ainda não se trata de prever cada erupção solar como quem consulta uma agenda. Mas o trabalho reforça que é possível transformar vibrações quase invisíveis em sinais de alerta.

Se os astrônomos conseguirem ler melhor esse coração acústico, o Sol pode deixar de surpreender tanto nossas redes, satélites e sistemas digitais.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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