Novo motor espacial pode ajudar humanos a chegar a Marte

Propulsor iônico movido a lítio passou pelo primeiro teste em laboratório e atingiu potência inédita nos Estados Unidos.

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Foto do motor que funciona com vapor de metal de lítio e é capaz de atingir níveis de energia muito além dos sistemas de propulsão elétrica de hoje.
Foto do motor que funciona com vapor de metal de lítio e é capaz de atingir níveis de energia muito além dos sistemas de propulsão elétrica de hoje. Imagem: NASA

A NASA testou um novo motor iônico que pode ajudar futuras missões humanas a chegar a Marte. O protótipo atingiu 120 quilowatts em fevereiro, no JPL (Laboratório de Propulsão a Jato), nos Estados Unidos.

Um motor elétrico para viagens profundas

Diferente dos foguetes químicos, que queimam combustível para gerar impulso, motores iônicos usam campos eletromagnéticos. Eles aceleram íons, que são átomos com carga elétrica, e lançam essas partículas para criar empuxo.

Na prática, ele gera um impulso pequeno e lento, porém, o motor funciona por muito mais tempo. Assim, em vez de uma arrancada, a nave pode ir acelerando aos poucos.

De acordo com a NASA, esse tipo de motor usa 90% menos propelente que foguetes químicos. Isso reduz a massa da nave e pode baratear lançamentos. Assista:

Por que o teste chamou atenção

O novo protótipo recebeu o nome de propulsor magnetoplasmadinâmico alimentado por lítio, ou MPD na sigla em inglês. Ele usa correntes elétricas fortes, que interagem com um campo magnético para acelerar íons de lítio.

O teste ocorreu dentro de uma câmara de vácuo no JPL. A estrutura tem 8 metros de comprimento e simula condições próximas às do espaço.

O motor realizou cinco disparos de teste e chegou a 120 quilowatts. A potência supera em 25 vezes o motor iônico usado na missão Psyche, da NASA.

“Esta é a primeira vez nos Estados Unidos que um sistema de propulsão elétrica opera em níveis tão altos, chegando a 120 quilowatts”, afirmou Jared Isaacman, administrador da NASA.

A meta agora é escalar a tecnologia

James Polk, pesquisador sênior do JPL, trabalha com motores iônicos desde a década de 1990. Para ele, o teste abre uma nova etapa.

“É um grande momento para nós, porque mostramos que o propulsor funciona e também alcançamos os níveis de potência que buscávamos”, disse Polk ao Space.

A equipe quer atingir entre 500 quilowatts e 1 megawatt nos próximos anos. Depois, a ambição sobe para motores de até 4 megawatts.

Uma nave tripulada poderia usar vários desses motores em conjunto. Esse arranjo ajudaria a empurrar astronautas na longa travessia até Marte.

Energia nuclear pode entrar na equação

Hoje, missões com motores iônicos dependem principalmente de painéis solares. Isso limita o uso longe do Sol e também restringe a potência disponível.

Por isso, a NASA trabalha no projeto Space Reactor-1 Freedom. Ele prevê um pequeno reator de fissão nuclear para gerar energia no espaço.

A agência espera lançar esse sistema até o fim de 2028. A missão também levaria pequenos veículos e aeronaves a Marte.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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