Marte pode ganhar anéis muito antes do previsto
Novas simulações sugerem que Fobos pode começar a perder material antes do imaginado, caso tenha estrutura parecida com uma pilha de rochas.

Marte ainda não tem anéis, mas esse cenário pode surgir em um futuro não tão distante. Novas simulações indicam que Fobos, a maior e mais próxima lua marciana, pode se romper antes do que modelos anteriores sugeriam.
A descoberta ajuda a entender como luas pequenas morrem ao redor de planetas. Também mostra como Marte pode ganhar, um dia, um sistema de anéis formado pelos restos de sua própria lua.
A lua condenada de Marte
Marte possui duas luas, Fobos e Deimos. Fobos fica mais perto do planeta e tem formato irregular, lembrando uma batata espacial.
Ela mede cerca de 27 quilômetros por 22 quilômetros por 18 quilômetros. Para comparação, é minúscula diante da Lua da Terra, mas orbita Marte a uma distância muito menor.
Fobos fica a cerca de 9.400 quilômetros do centro de Marte. Essa proximidade permite que ela produza pequenos eclipses solares no planeta vermelho, cobrindo parte do Sol mesmo com seu tamanho pequeno.

A gravidade de Marte está puxando Fobos
O destino de Fobos depende de um conceito chamado limite de Roche. Essa região marca a distância em que a gravidade de um planeta começa a destruir um corpo menor.
Ou seja, o planeta puxa com tanta diferença entre um lado e outro da lua que ela pode perder coesão. Se Fobos fosse líquida, já teria se desfeito.
Como ela não é líquida, ainda resiste. Mas isso não significa segurança permanente. A dúvida central envolve sua estrutura interna.
Rocha sólida ou pilha de entulho?
O novo estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, testou uma possibilidade importante. Em vez de tratar Fobos como um bloco sólido, os pesquisadores a modelaram como uma pilha frouxa de rochas.
Essa estrutura lembra asteroides como Bennu e Ryugu. Também se parece com o sistema Didymos e Dimorphos, alvo da missão DART de defesa planetária.
A diferença muda tudo. Uma lua compacta aguenta mais tensão. Já uma lua feita de blocos mal unidos pode começar a se desfazer mais longe do planeta.
O rompimento pode começar mais cedo
Fobos orbita, em média, a 2,76 raios marcianos de distância. A nova simulação indica que, se ela tiver estrutura de pilha de rochas, o colapso pode começar a 2,03 raios marcianos. Isso significa muito antes de atingir a estimativa clássica de ruptura em torno de 1,6 raio marciano.
Na prática, 2,03 raios marcianos equivalem a cerca de 6.682 quilômetros. Portanto, Fobos talvez não precise chegar tão perto de Marte para começar a perder material.
Esse material pode formar anéis ao redor do planeta no futuro. Seria uma transformação rara: uma lua deixando de ser satélite para virar um cinturão de fragmentos.
Um retrato do futuro de Marte
O prazo exato continua em aberto, mas os pesquisadores falam em algumas dezenas de milhões de anos. Ele depende de Fobos ser mais parecida com uma rocha sólida ou com um amontoado de escombros mantido pela gravidade.
Ainda assim, o estudo reforça uma ideia fascinante. Marte pode trocar sua lua mais próxima por anéis, em uma mudança lenta, violenta e invisível para a nossa escala de tempo.
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