Lua pode ter menos água congelada do que se pensava

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Detalhe da superfície da Lua captada pela missão Artemis 2.
Detalhe da superfície da Lua captada pela missão Artemis 2. Imagem: NASA

A busca por água congelada nos polos da Lua acaba de ganhar um freio importante. Novas observações feitas com a ShadowCam, câmera da NASA que opera a bordo do orbitador sul-coreano KPLO, indicam que as regiões permanentemente sombreadas da Lua podem ter menos gelo de água na superfície do que muitos cientistas e futuras missões esperavam.

A descoberta, publicada na revista ScienceAdvances, importa porque esse gelo entrou no radar como um possível recurso para a exploração humana. Ele poderia servir tanto para consumo quanto para a produção de combustível. Agora, esse cenário parece menos simples.

O que a nova análise encontrou

Os cientistas olharam para crateras e depressões nos polos lunares que nunca recebem luz solar direta. Esses locais funcionam como “freezers naturais”, já que permanecem extremamente frios e podem aprisionar moléculas de água por longos períodos.

Mas a nova análise não encontrou sinais de depósitos de gelo puro. Em vez disso, a equipe concluiu que, no máximo, 20% do regolito da superfície, em peso, pode ser composto por água. O regolito é a camada de poeira, fragmentos de rocha e material solto que cobre a Lua.

Segundo Shuai Li, da Universidade do Havaí em Mānoa e autor principal do estudo, a maior parte das áreas deve conter apenas alguns poucos por cento de água.

Como enxergar o que está no escuro

A ShadowCam orbita a Lua desde dezembro de 2022 e foi projetada justamente para enxergar onde quase não existe luz. Para isso, ela usa fontes muito fracas de iluminação, como a luz do Sol refletida pela Terra e a luz espalhada por terrenos próximos.

Essa iluminação é extremamente fraca. Ainda assim, permitiu que os pesquisadores aplicassem duas estratégias para estimar a presença de gelo misturado ao solo lunar.

A primeira foi medir a refletância, ou seja, quanta luz volta para a câmera. O gelo de água costuma ser muito brilhante no visível, enquanto rochas tendem a ser mais escuras. Só que, nesse caso, os cientistas não acharam áreas brilhantes o suficiente para separar gelo de outros elementos claros, como blocos rochosos e material expelido por crateras.

O truque dos ângulos

A segunda estratégia envolveu observar como a luz se espalha. Solo e rochas lunares tendem a refletir luz de volta na direção da origem. Já o gelo se comporta mais como um espelho e envia luz para frente.

Durante a missão estendida, a equipe conseguiu inclinar um pouco a espaçonave e fotografar as mesmas áreas por ângulos diferentes. Com isso, avaliou como o terreno redirecionava a luz.

Esse método revelou alguns pontos mais refletivos do que o regolito seco. Em geral, eles aparecem ligados a materiais recém-expostos em estruturas relativamente jovens, como impactos de meteoritos. Isso sugere que pode existir mais gelo abaixo da superfície do que na camada mais externa.

O que isso muda para a exploração lunar

De acordo com a Sky & Telescope, a equipe afirma que as regiões permanentemente sombreadas devem ter menos de 20% de gelo de água em peso na superfície. Também há indícios de que o polo norte lunar tenha porcentagem maior do que o polo sul.

O resultado contrariou a expectativa dos pesquisadores, que esperavam encontrar mais. A comparação com Mercúrio torna isso ainda mais intrigante. Os cientistas veem mecanismos parecidos de entrega de água nos dois corpos, mas a Lua não mostra grandes depósitos de gelo como o planeta.

Para Simeon Barber, da Open University, no Reino Unido, o estudo reforça como observações orbitais têm limites. Por isso, medições feitas diretamente na superfície serão decisivas. Missões como o experimento PROSPECT e o possível envio do rover VIPER devem ajudar a esclarecer esse quebra-cabeça.

Por enquanto, a mensagem é que a corrida para explorar a água da Lua pode ter começado antes da hora.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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