Telescópio de R$ 1 milhão pode ser usado por astrônomos amadores

Serviço de assinatura reúne mais de 10 mil horas de imagens captadas por telescópios profissionais no Chile, na Espanha, na Austrália e nos Estados Unidos.

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Galáxia NGC-2403 (Crédito: Telescope Live/Bernard Miller)
Galáxia NGC-2403 (Crédito: Telescope Live/Bernard Miller)

A plataforma Telescope Live dá acesso a mais de 10 mil horas de imagens de telescópios profissionais em quatro países. Por assinatura a partir de US$ 6 por mês, astrofotógrafos processam as imagens sem precisar comprar equipamento.

A plataforma reúne dados pré-calibrados captados por uma rede de mais de 30 telescópios instalados no Chile, na Espanha, na Austrália e nos Estados Unidos.

O instrumento principal é o CHI-1, um refletor Corrected Dall-Kirkham modelo PlaneWave CDK24, com 61 centímetros de abertura, acoplado a uma câmera científica QHY600M Pro e instalado no Observatório El Sauce, no Vale do Rio Hurtado, no Chile. À Astronomy, Alex Curry, cofundador da Telescope Live, afirmou que o local registra brilho de céu entre as magnitudes 21,5 e 22 e cerca de 300 noites limpas por ano.

Esse conjunto de equipamentos custaria cerca de US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão).

Como funciona o acesso aos dados

O assinante não precisa possuir telescópio, câmera ou montagem. Ele baixa arquivos já calibrados do acervo e processa as imagens no próprio computador, com o software de sua escolha. O resultado final, segundo Curry, depende da habilidade de processamento de cada usuário, não do orçamento disponível para comprar equipamento.

Cada dataset passa por controle de qualidade antes de ser publicado, com verificação de consistência da função de espalhamento de ponto, uniformidade do campo plano e ausência de distorção óptica. Se dez horas de captação geram apenas oito horas aproveitáveis, a plataforma publica essas oito horas ou continua coletando dados até atingir o padrão definido.

Curry afirma que, em plataformas concorrentes, até astrofotógrafos experientes descartam de 10% a 15% dos quadros captados por problemas de qualidade, enquanto o acervo da Telescope Live já entrega arquivos prontos para uso integral.

Quanto custa assinar a Telescope Live

A plataforma tem três planos pagos e uma opção gratuita sem cadastro.

  • Gratuito: seleção rotativa de datasets pré-calibrados, atualizada a cada poucos meses, com tutorial de iniciante e uso do software livre Siril.
  • Bronze, US$ 6 por mês: 5 créditos mensais, equivalentes a cerca de dez horas de dados de um único alvo, e acesso aos tutoriais de nível iniciante.
  • Silver, US$ 24 por mês: mais créditos mensais e liberação da biblioteca de tutoriais de nível intermediário.
  • Gold, US$ 59 por mês: acesso a todos os tutoriais, 50 créditos mensais, desconto de 20% na compra individual de datasets e preço reduzido em créditos extras.

O instrumento CHI-1 já acumulou centenas de créditos na seção Astronomy Picture of the Day, da NASA, associados a imagens processadas a partir de seus dados.

O que o serviço resolve e o que ainda depende do usuário

O modelo elimina quatro obstáculos apontados por Curry como os principais da astrofotografia amadora: clima, poluição luminosa, tempo disponível e custo de equipamento.

Como os dados já foram captados em céus escuros e em noites limpas, o assinante evita perder uma noite inteira de trabalho por causa de nuvens ou de brilho urbano.

O que o serviço não elimina é o trabalho de processamento. Empilhamento, ajuste de contraste, balanço de cor, redução de ruído e correção de gradiente continuam sendo decisões do usuário. Curry afirma que astrofotógrafos experientes, ao testar o acervo pela primeira vez, constatam que essa parte da habilidade técnica permanece intacta.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe do Futuro Astrônomo. Astrônomo amador há mais de 30 anos, cobre descobertas científicas, missões espaciais e observação do céu desde 2002, quando lançou um dos primeiros blogs de astronomia do Brasil. Tem formação em jornalismo e está se especializando em planetologia. Também é fã de Star Trek.

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