Superlua: quando será a próxima?

Veja quando será a próxima superlua no Brasil, entenda o que é Lua Cheia de perigeu e saiba a diferença entre Lua azul e Lua de sangue.

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Quando será a próxima Superlua no Brasil?

Uma Superlua acontece quando a Lua Cheia coincide com o momento em que a Lua está perto do perigeu, o ponto de sua órbita em que ela passa mais perto da Terra. Ou seja, é a Lua Cheia ocorrendo no momento em que a órbita lunar está em sua aproximação máxima do nosso planeta. Como a órbita da Lua não é perfeitamente circular, a distância Terra-Lua varia de um mês para outro.

Vale destacar que a palavra “superlua” não é um termo técnico oficial da astronomia, embora seja amplamente usada pela imprensa para a Lua Cheia que ocorre dentro de pelo menos 90% da distância entre o apogeu e o perigeu.

Muitos astrônomos preferem se referir ao fenômeno como apenas “Lua Cheia de perigeu” ou o termo mais científico: perigeu-sizígia.

Na prática, a Lua Cheia no perigeu pode parecer até 14% maior e 30% mais brilhante do que a Lua Cheia perto do apogeu (o ponto mais distante da Terra). Apesar dessa diferença, é muito difícil para a maioria das pessoas perceber a diferença a olho nu.

Ou seja, a superlua é real, mas sua “super” aparência costuma ser mais sutil do que as fotos com câmeras com lentes teleobjetivas fazem parecer.

Por que nem toda Lua Cheia é uma superlua

A resposta está em dois ritmos diferentes do movimento lunar.

A Lua leva cerca de 27,3 dias para completar uma volta ao redor da Terra, mas leva cerca de 29,5 dias para repetir a mesma fase, como ir de Lua Nova a Lua Nova ou de Lua Cheia a Lua Cheia. Esse segundo intervalo é o chamado mês sinódico.

Já o ciclo de perigeu a perigeu é o mês anomalístico, que tem duração diferente. Como esses relógios não batem exatamente entre si, a Lua Cheia nem sempre cai perto do perigeu.

É justamente esse desencontro que faz as superluas aparecerem em blocos. Geralmente, elas costumam ocorrer três ou quatro vezes por ano, em sequência. Ou seja, não é um evento raríssimo, mas também não acontece em toda Lua Cheia.

Superlua azul, Superlua de sangue, Superlua do Lobo?

É comum encontrar notícias quem mencionam termos como “Superlua Azul”, “Superlua de Sangue” ou “Superlua do Lobo”, por exemplo. Em sua maioria, esses termos vem da cultura de povos nativos dos Estados Unidos, mencionados na imprensa estrangeira, e que acabam chegando traduzidos aqui no Brasil.

Superlua azul, por exemplo, é a combinação de dois rótulos diferentes. Como já mencionamos, “Superlua” fala da distância da Lua em relação à Terra. Já “Lua azul” se refere à segunda Lua Cheia ocorrendo dentro um mesmo mês. Portanto, uma “Superlua azul” ocorre quando temos duas Luas Cheias dentro de um mesmo mês, e a segunda Lua Cheia é uma Superlua.

Superlua de sangue é o nome popular dado quando a Superlua coincide com um Eclipse Lunar Total. Nesse evento, a cor vermelha aparece durante a totalidade porque a luz solar filtrada pela atmosfera da Terra perde mais facilmente os comprimentos de onda azuis e deixa passar mais tons avermelhados até a superfície lunar. Portanto, para existir uma Superlua de sangue, a Lua precisaria estar simultaneamente cheia, próxima do perigeu e em eclipse lunar total. Isso pode acontecer, mas não é a regra.

Além disso, também é possível encontrar termos como:

  • Superlua do Lobo: Quando a primeira Lua cheia do ano ocorre no perigeu. Nesta época do ano, os lobos uivam de forma mais intensa no inverno do hemisfério norte.
  • Superlua de Morango: A Lua cheia de junho, a última da primavera no hemisfério Norte, tradicionalmente associada à colheita de morangos silvestres.
  • Superlua dos Cervos: A Lua cheia de julho, período em que os cervos machos no Hemisfério Norte desenvolvem novos chifres.
  • Superlua do Castor: A Lua Cheia de novembro, época que os castores ficam mais ativos no hemisfério norte.

Ou seja, estes nomes estão muito associados à cultura e história dos EUA, e não precisam necessariamente ser adotados pelos brasileiros.

Superlua ou super lua: qual é a grafia correta?

Na língua portuguesa, a forma recomendável é Superlua, tudo junto e sem hífen.

A regra ortográfica para o prefixo super- determina que ele leva hífen apenas diante de palavras iniciadas por h ou r.

Ou seja, “Superlua” segue a regra de prefixação, enquanto “super lua” separado não é a forma padrão.

A superlua realmente influencia marés e fenômenos naturais?

A influência sobre as marés é real, mas o efeito é pequeno. Por a Lua estar mais próxima da Terra, a Superlua pode produzir marés um pouco mais altas do que o habitual. Isso porque a força de maré depende da distância entre Terra e Lua.

Como ver melhor a próxima superlua

O ideal é buscar um horizonte livre, principalmente no momento em que a Lua nasce. É nessa fase que muita gente percebe a chamada ilusão da Lua, que faz o disco parecer enorme perto do horizonte. Porém, esse é um fenômeno psicológico de percepção, não uma ampliação física real da Lua naquele momento.

Na prática, a superlua costuma render melhor em fotografia, comparação com prédios, árvores ou relevo, e observação do brilho e da cor baixa no horizonte.

No fim das contas, “superlua” é um bom exemplo de como um fenômeno astronômico real pode ganhar um nome popular forte, mas também alguma confusão. Porém, a Superlua nada mais é que a Lua Cheia coincidindo com um ponto mais próximo da Terra em sua órbita.

Entender isso já resolve boa parte do mito e deixa o fenômeno mais interessante.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.