Missão da NASA falha em salvar telescópio Swift
Falhas de comunicação e de orientação da nave LINK impediram a manobra, mas a missão deixou lições de gestão e de controle de arrasto.

A missão comercial para elevar a órbita do observatório espacial Neil Gehrels Swift, da NASA, terminou sem conseguir mover o telescópio. A NASA e a empresa norte-americana Katalyst Space apontam ganhos para futuras missões de manutenção em órbita.
A agência espacial afirma que a missão não conseguiu agarrar e nem elevar o Swift. A NASA concluiu formalmente sua participação em 3 de setembro de 2026. Já a nave LINK, da Katalyst, reentrou na atmosfera em 25 de setembro de 2026.
Segundo a NASA, o telescópio Swift também reentrará até o fim do ano sem intervenção. O observatório, lançado em novembro de 2004, foi projetado para estudar explosões de raios gama, as mais potentes do cosmos.
Por que o Swift precisava de ajuda
Todo satélite em órbita baixa sofre arrasto da atmosfera terrestre. Sem propulsão, ele perde altitude aos poucos, e um período de atividade solar mais intensa ampliou esse efeito no Swift.
A NASA teve poucos meses para lançar uma chamada de propostas e financiar estudos de conceito pelo programa Small Business Innovation Research. Em setembro de 2025, a agência contratou a Katalyst, que teve cerca de um ano para projetar, construir, testar e lançar um satélite capaz de encontrar, agarrar e elevar o Swift.
A previsão da NASA apontava para o ponto sem retorno em cerca de 300 quilômetros de altitude.
O que falhou na nave LINK
A LINK perdeu a comunicação de forma intermitente e desenvolveu problemas de controle de orientação. Ela decolou em julho de 2026 de Kwajalein, nas Ilhas Marshall, entre o Hawai e a Austrália, a bordo de um foguete Pegasus XL, da Northrop Grumman. A Katalyst escolheu esse foguete por causa do cronograma curto.
Depois dos problemas de comunicação, NASA e Katalyst decidiram reduzir o escopo da missão. A LINK deixou de tentar agarrar o Swift e passou a fazer demonstrações de tecnologia. Entre elas estavam o uso do propulsor movido a xenônio e de três braços robóticos, pensados para dar flexibilidade ao ponto de captura. Porém, a missão não provou que é possível capturar e elevar um satélite em órbita.
“A LINK foi construída para enfrentar um problema que não tinha solução fácil. Esta foi uma missão ambiciosa, com um cronograma agressivo. Embora não tenhamos cumprido todos os objetivos que definimos, em menos de um ano saímos do conceito da missão para o lançamento e a operação do primeiro robô espacial comercial. Essa é uma base sobre a qual podemos construir”, disse Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space, em comunicado.
Como a equipe do Swift ganhou tempo
Os controladores do telescópio espacial Swift trocaram observações científicas por apontamentos que reduzem o arrasto atmosférico.
A equipe do Centro de Operações da Missão, na Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, começou em dezembro de 2025 substituindo cerca de 25% dos alvos diários. Em fevereiro de 2026, a troca já era total, e o Swift ficou sem observações científicas dirigidas de meados de fevereiro ao fim de agosto.
O telescópio não podia apontar perto demais da Terra, da Lua ou do Sol, porque o brilho dos três poderia superaquecer os instrumentos. A posição mais aerodinâmica também inclinava o Swift em direção à atmosfera, onde partículas podiam colidir com os telescópios. O equilíbrio entre os dois riscos manteve o observatório acima da altitude crítica por vários meses.
“Essas mudanças ganharam um tempo valioso para a missão de elevação e podem ser levadas adiante para futuras missões da NASA”, disse John Nousek, diretor da missão e professor de astronomia e astrofísica na Faculdade de Ciências Eberly da Penn State.
O que a NASA leva para as próximas missões
O prazo curto exigiu uma gestão de projeto mais ágil. Equipes do Centro de Voo Espacial Goddard criaram com a Katalyst marcos e processos de aprovação que permitissem avançar rápido. O Centro de Engenharia e Segurança da NASA também deu apoio nos problemas de integração e teste.
“Desde o início, esta foi uma missão de alto risco e alto retorno. Estamos muito orgulhosos de como esta equipe avançou rápido e estamos registrando as lições aprendidas para garantir que estejamos prontos para ir ainda mais longe”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA.
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