Novas imagens revelam estrela escondida ao lado de Betelgeuse
Imagens do Very Large Telescope reforçam a existência de Siwarha, estrela que pode explicar um ciclo de brilho de seis anos em Betelgeuse.

Astrônomos obtiveram as imagens mais claras até agora de uma estrela menor orbitando Betelgeuse, a supergigante vermelha no ombro da constelação de Órion. As observações ocorreram com o Very Large Telescope, no Chile.
A detecção fortalece uma hipótese que acompanha Betelgeuse há mais de um século. De acordo com dois estudos publicados no The Astrophysical Journal (aqui e aqui), a companheira pode explicar um ciclo de brilho de seis anos ainda sem resposta definitiva.
Uma estrela escondida pelo brilho de Betelgeuse
Betelgeuse figura entre as estrelas mais conhecidas do céu noturno. Seu tamanho e brilho dificultam a observação de qualquer objeto próximo e muito menos luminoso.
A equipe usou o instrumento SPHERE, do Very Large Telescope. O equipamento separou a luz fraca da companheira do brilho dominante da supergigante.
Os pesquisadores adaptaram técnicas que caçadores de exoplanetas usam para localizar mundos distantes. Esses métodos revelam objetos apagados muito próximos de estrelas brilhantes no campo de visão.
Andrea Dupree e seus colegas observaram Betelgeuse durante dois dias de dezembro de 2024. Miguel Montargès processou as imagens e identificou o ponto luminoso ao lado da estrela.
“Meu Deus, olhe! Veja o que acabei de encontrar!”, disse Montargès ao mostrar o resultado à ScienceNews.

Siwarha pode explicar um mistério de seis anos
A companheira ganhou o nome Siwarha, palavra que significa “seu bracelete”. O nome faz referência à expressão árabe que deu origem ao nome Betelgeuse, “mão do gigante”.
Betelgeuse muda de brilho em vários ritmos. Ciclos de algumas centenas de dias surgem de pulsações dentro da própria estrela.
Uma variação mais longa ocorre a cada seis anos. Em 2024, astrônomos relacionaram esse ciclo à possível presença de uma estrela em órbita.
Os cálculos indicavam que Siwarha atingiria sua maior separação aparente em dezembro de 2024. Essa posição ofereceu a melhor oportunidade para fotografá-la.
Uma tentativa anterior não produziu um resultado conclusivo. Porém, as novas imagens apresentam a detecção mais convincente obtida até agora.
Companheira tem até três massas solares
Caso as duas estrelas tenham surgido juntas, Siwarha possui entre 2,6 e 3,1 vezes a massa do Sol. O valor supera as estimativas iniciais.
A descoberta também ajuda os astrônomos a entender como Betelgeuse evolui e como uma companheira pode influenciar seu brilho. Contudo, a interação entre as estrelas ainda exige mais dados.
Montargès pretende observar o sistema novamente no fim de 2027. Nesse período, Siwarha deverá aparecer no lado oposto de Betelgeuse.
Essa mudança de posição mostraria que o ponto luminoso acompanha uma órbita real. Dupree já considera a detecção como “sólida”, enquanto Montargès ainda chama Siwarha de candidata.
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