Veja o que o El Niño reserva para o seu estado

Boletim de sete órgãos brasileiros aponta chuva intensa no Sul, seca no Norte e Nordeste e mais risco de incêndio até novembro.

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el nino 2026
(Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O Brasil tem mais de 90% de chance de enfrentar um El Niño muito forte entre setembro e novembro de 2026. O fenômeno ainda pode se tornar o mais intenso desde 1950, com 75% de probabilidade nesse patamar.

O Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), reúne dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM).

Uma atualização de 10 de setembro, baseada em dados do Centro de Previsão Climática da NOAA (CPC/NOAA), órgão meteorológico dos Estados Unidos, mostrou que as anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial já passam de 3°C em parte do oceano.

O que os números do Pacífico mostram

Em agosto, a região do oceano conhecida como Niño 3.4 registrou anomalia de 1,8°C, a Niño 3 chegou a 2,5°C e a Niño 1+2 atingiu 3,4°C, segundo o CPC/NOAA.

O El Niño foi declarado oficialmente pela NOAA em 11 de junho de 2026, depois de um período de La Niña observado ainda em janeiro. A intensificação foi rápida, uma vez que, em maio, a chance de o fenômeno se formar era de 82%. Em agosto, a chance de ele ficar muito forte já passava de 90%.

O padrão lembra um forno que aquece aos poucos até travar em temperatura alta. Quanto mais quente o Pacífico fica, maior a chance de o clima do Brasil sentir os efeitos nos próximos meses.

(a) Evolução semanal das anomalias da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico e (b)
nas diferentes áreas do Niño (Crédito: National Centers for Environmental Prediction - NCEP)
(a) Evolução semanal das anomalias da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico e (b)
nas diferentes áreas do Niño (Crédito: National Centers for Environmental Prediction – NCEP)

Chuva e seca: o mapa do Brasil até novembro

A previsão do INMET, do INPE e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) aponta chuva acima da média na Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul, além de parte de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

Nas Regiões Norte e Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média. Partes do Centro-Oeste e do Sudeste, como Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, também devem receber menos chuva do que o esperado.

As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, embora massas de ar frio ainda possam provocar quedas bruscas em setembro. Na Amazônia Legal e no Pantanal, a estação chuvosa deve atrasar, principalmente no centro e no sul da região.

Previsão climática para setembro, outubro e novembro de 2026 (Crédito: INMET)
Previsão climática para setembro, outubro e novembro de 2026 (Crédito: INMET)

Risco de incêndio e ondas de calor

O modelo de risco de fogo do CEMADEN classifica 514 municípios em alerta alto e outros 706 em alerta, somando juntos cerca de 5,85 milhões de quilômetros quadrados. Mato Grosso, o sul do Amazonas e o Pará concentram os níveis mais críticos.

Anos de El Niño também costumam trazer mais ondas de calor. A média histórica do trimestre é de 2 a 3 ondas, mas em anos do fenômeno esse número sobe para 3 a 5, segundo o boletim.

risco incendio el nino
Previsão de risco de fogo por municípios para o trimestre setembro-novembro considerando
atividades humanas e a previsão climática sazonal do INPE-INMET-FUNCEME (Crédito: INMET)

Como se preparar

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil recomenda que a população atualize o cadastro para receber alertas de desastres, enviando o CEP para o número 40199 por SMS. O órgão também orienta conhecer os riscos do próprio bairro e as rotas de fuga em caso de enchente ou deslizamento.

Estados e municípios devem revisar planos de contingência e reforçar o monitoramento das condições climáticas. A intensidade do El Niño aumenta a chance de impactos, mas não garante que eles vão ocorrer em todas as regiões.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe do Futuro Astrônomo. Astrônomo amador há mais de 30 anos, cobre descobertas científicas, missões espaciais e observação do céu desde 2002, quando lançou um dos primeiros blogs de astronomia do Brasil. Tem formação em jornalismo e está se especializando em planetologia. Também é fã de Star Trek.

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