Dois cometas podem ser caçados na mesma noite hoje
Os cometas 161P/Hartley-IRAS e 10P/Tempel 2 pedem telescópio de 200 mm ou mais, filtro especial e paciência com o brilho da Lua

Os cometas 161P/Hartley-IRAS e 10P/Tempel 2 voltam ao céu do início da noite. Quem tem telescópio de porte médio consegue acompanhar os dois na mesma sessão de observação.
O 161P/Hartley-IRAS está atualmente na constelação de Aquário. O 10P/Tempel 2 aparece mais ao sul, em Peixe Austral. As previsões apontam para os dois um brilho entre magnitude 9,5 e 10, fraco demais para o olho nu.
Na escala de magnitude, quanto maior o número, mais apagado o objeto. O limite da visão humana em céu escuro fica perto da magnitude 6, por isso esses cometas pedem instrumento óptico. Se mantiverem o brilho previsto, telescópios com abertura a partir de 200 milímetros atendem bem à observação.


Melhor horário para ver os cometas fica perto das 22h30
Por volta das 22h30 desta segunda-feira (28), os dois cometas cruzam o meridiano, a linha imaginária que liga o norte ao sul passando pelo ponto mais alto do céu. Nesse momento eles alcançam a maior altura da noite e se afastam da faixa turva de ar próxima ao horizonte.
A espera tem outro motivo. A Lua, na fase gibosa minguante com 91% do disco iluminado, permanece no céu e espalha luz sobre a região dos cometas. Mesmo no horário ideal, o brilho lunar continua um obstáculo sério.
Enxergar uma mancha tênue com a Lua alta lembra procurar a chama de uma vela ao lado de um poste de rua aceso. O observador precisa de equipamento e técnica para ganhar contraste.
Filtro de banda Swan aumenta o contraste do cometa
Observadores experientes podem rosquear na ocular um filtro de banda Swan, como o modelo de banda estreita C2. Esse acessório deixa passar a luz emitida pelo carbono diatômico, gás típico dos cometas, e bloqueia boa parte do restante.
O resultado é um fundo de céu mais escuro e uma coma mais destacada. A coma, também chamada de cabeleira, é a nuvem difusa de gás e poeira que envolve o núcleo e dá ao cometa a aparência de mancha borrada.
Brilho dos dois cometas ainda é incerto
As estimativas de magnitude carregam grande margem de erro. Cometas mudam de brilho de forma imprevisível, e a noite pode revelar um objeto mais fraco que o esperado.
Como fotografar os cometas com montagem motorizada
A dupla oferece uma boa chance de testar as configurações de acompanhamento de cometas em um telescópios com montagem motorizada. O procedimento tem duas etapas.
- Fazer várias exposições de 30 a 60 segundos cada.
- No empilhamento das imagens, alinhar as fotos pelo núcleo do cometa, e não pelas estrelas.
A maioria dos programas de astrofotografia oferece essa opção de alinhamento. A imagem final mostra o cometa nítido sobre um fundo de estrelas esticadas em rastros, efeito do deslocamento do cometa entre uma foto e outra.
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