Dois cometas podem ser caçados na mesma noite hoje

Os cometas 161P/Hartley-IRAS e 10P/Tempel 2 pedem telescópio de 200 mm ou mais, filtro especial e paciência com o brilho da Lua

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O cometa 10P/Tempel 2 fotografado em julho de 2026 pelo astrofotógrafo John Chumack (Crédito: John Chumack/Galactic Images)
O cometa 10P/Tempel 2 fotografado em julho de 2026 pelo astrofotógrafo John Chumack (Crédito: John Chumack/Galactic Images)

Os cometas 161P/Hartley-IRAS e 10P/Tempel 2 voltam ao céu do início da noite. Quem tem telescópio de porte médio consegue acompanhar os dois na mesma sessão de observação.

O 161P/Hartley-IRAS está atualmente na constelação de Aquário. O 10P/Tempel 2 aparece mais ao sul, em Peixe Austral. As previsões apontam para os dois um brilho entre magnitude 9,5 e 10, fraco demais para o olho nu.

Na escala de magnitude, quanto maior o número, mais apagado o objeto. O limite da visão humana em céu escuro fica perto da magnitude 6, por isso esses cometas pedem instrumento óptico. Se mantiverem o brilho previsto, telescópios com abertura a partir de 200 milímetros atendem bem à observação.

10P Tempel 2
Mapa de localização do cometa 10P/Tempel 2 (Crédito: StarWalk)
Mapa de localização do 161P/Hartley-IRAS (Crédito: StarWalk)
Mapa de localização do 161P/Hartley-IRAS (Crédito: StarWalk)

Melhor horário para ver os cometas fica perto das 22h30

Por volta das 22h30 desta segunda-feira (28), os dois cometas cruzam o meridiano, a linha imaginária que liga o norte ao sul passando pelo ponto mais alto do céu. Nesse momento eles alcançam a maior altura da noite e se afastam da faixa turva de ar próxima ao horizonte.

A espera tem outro motivo. A Lua, na fase gibosa minguante com 91% do disco iluminado, permanece no céu e espalha luz sobre a região dos cometas. Mesmo no horário ideal, o brilho lunar continua um obstáculo sério.

Enxergar uma mancha tênue com a Lua alta lembra procurar a chama de uma vela ao lado de um poste de rua aceso. O observador precisa de equipamento e técnica para ganhar contraste.

Filtro de banda Swan aumenta o contraste do cometa

Observadores experientes podem rosquear na ocular um filtro de banda Swan, como o modelo de banda estreita C2. Esse acessório deixa passar a luz emitida pelo carbono diatômico, gás típico dos cometas, e bloqueia boa parte do restante.

O resultado é um fundo de céu mais escuro e uma coma mais destacada. A coma, também chamada de cabeleira, é a nuvem difusa de gás e poeira que envolve o núcleo e dá ao cometa a aparência de mancha borrada.

Brilho dos dois cometas ainda é incerto

As estimativas de magnitude carregam grande margem de erro. Cometas mudam de brilho de forma imprevisível, e a noite pode revelar um objeto mais fraco que o esperado.

Como fotografar os cometas com montagem motorizada

A dupla oferece uma boa chance de testar as configurações de acompanhamento de cometas em um telescópios com montagem motorizada. O procedimento tem duas etapas.

  • Fazer várias exposições de 30 a 60 segundos cada.
  • No empilhamento das imagens, alinhar as fotos pelo núcleo do cometa, e não pelas estrelas.

A maioria dos programas de astrofotografia oferece essa opção de alinhamento. A imagem final mostra o cometa nítido sobre um fundo de estrelas esticadas em rastros, efeito do deslocamento do cometa entre uma foto e outra.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe do Futuro Astrônomo. Astrônomo amador há mais de 30 anos, cobre descobertas científicas, missões espaciais e observação do céu desde 2002, quando lançou um dos primeiros blogs de astronomia do Brasil. Tem formação em jornalismo e está se especializando em planetologia. Também é fã de Star Trek.

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