Veja a foto que venceu o maior concurso de astrofotografia do mundo
Ali Alobaidly, do Kuwait, venceu o Astronomy Photographer of the Year 18 com um retrato da Nebulosa do Tubarão, a quase 650 anos-luz da Terra.

O Royal Observatory Greenwich, na Inglaterra, elegeu Ali Alobaidly vencedor geral do concurso ZWO Astronomy Photographer of the Year 18, na edição 2026. É o primeiro título geral conquistado por um fotógrafo do Kuwait na história da competição.
A imagem vencedora, intitulada “The Quiet Predator” (ou “O Predador Silencioso”), retrata a Nebulosa do Tubarão, catalogada como LDN 1235 e localizada a quase 650 anos-luz de distância, na constelação de Cefeu. Trata-se de uma nebulosa escura, formada por poeira interestelar densa o suficiente para bloquear a luz das estrelas ao fundo.
Alobaidly recebe 10 mil libras esterlinas (cerca de R$ 69,3 mil) em prêmio. A fotografia entra em exposição a partir de sexta-feira, 18 de setembro de 2026, no National Maritime Museum, em Londres, ao lado das imagens vencedoras das demais categorias.
Em comunicado, Alobaidly disse que “receber este prêmio é uma honra imensa”. Ele contou que a semelhança entre a forma da nebulosa e um predador marinho pairando sobre o céu do deserto do Kuwait foi o que primeiro o atraiu para aquela região do céu, e associou a cena ao próprio amor pelo Universo e pelo deserto de seus ancestrais.
A imagem vencedora foi capturada com com um telescópio Askar 140 APO, montagem Sky-Watcher EQ8-R, câmera ZWO ASI2600MM Pro, 784 mm f/5.6 (140 mm com um redutor 0.8x), ISO 100, 168 exposições de 300 segundos em modo L, 60 exposições de 300 segundos em modo R, 60 exposições de 300 segundos em modo G, 48 exposições de 300 segundos em modo B e tempo total de integração de 28 horas e 30 minutos.
O que os juízes viram na foto vencedora
Steve Marsh, editor de arte da BBC Sky at Night Magazine e um dos juízes do concurso, afirmou que a imagem se destaca pela nitidez e pelo contraste de luz e sombra, a ponto de revelar galáxias distantes através da nebulosa.
Sam Wen, fundador e CEO da ZWO, empresa fabricante de equipamentos de astrofotografia que dá nome ao prêmio, classificou o resultado como um marco histórico, já que Alobaidly é o primeiro vencedor geral do Kuwait na trajetória da competição.
Jovem fotógrafo grego vence categoria de estreantes
O prêmio ZWO Young Astronomy Photographer of the Year, categoria voltada a fotógrafos mais jovens, foi para o grego Nikolaos Strimpoulis, de 15 anos, com a imagem “Mineral Moon” (“Lua Mineral”). O trabalho mostra a superfície lunar em close, incluindo os mares, áreas escuras formadas por antigos fluxos de lava, e as terras altas, regiões claras moldadas por bilhões de anos de impactos.
A fotografia foi tirada com um telescópio Dobsoniano Sky-Watcher Skyliner 150 Classic de 6 polegadas, câmera Player One Astronomy Ares-C Pro com resfriamento a cores, 1200 mm f/7.8, ISO 100 e 15% dos frames de um vídeo de 20 segundos.
Sobre a imagem, o juiz Steve Marsh destacou que muitos astrofotógrafos começam a carreira fotografando a Lua, mas poucos exploram a fundo as cores minerais de sua superfície como fez o jovem vencedor.

Outras imagens também venceram categorias específicas do concurso:
- Saturnian Equinox (“Equinócio de Saturno”), de Tom Williams (Reino Unido), que registra um raro cruzamento do plano de anéis de Saturno ocorrido em 2025. A fotografia foi tirada com um refletor Dobsoniano personalizado de 600 mm, filtro IR Astronomik 642 BP e filtros de corte UV/IR, câmeras Player One Astronomy Uranus-M e Uranus-C, 10.600 mm f/17,6 e múltiplas exposições de 10 milissegundos.
- Botswana Star Trail (“Trilha Estelar do Botswana”), de Stefano Pellegrini (Itália), que mostra o céu visto no país africano de Botswana. Ele usou um câmera Nikon D7200, 11 mm f/5, ISO 6.4 e 340 exposições de 30 segundos.
- The Crown (“A coroa”), de Radoslav Sviretsov (Bulgária), que retrata uma aurora captada por uma câmera Canon EOS R, lente 15 mm f/2.8, ISO 3200 e exposição de 2,5 segundos.
Na categoria aberta Annie Maunder (Polônia), o prêmio foi para Paweł Paweł, com “Reverse Astronomy: Mother” (“Astronomia Reversa: Mãe”), com uma imagem não tradicional do Sol, submetendo um material fotossensível analógico à radiação solar intensa, explorando o momento em que a luz começa a afetar fisicamente o meio.
A imagem foi criada usando uma câmera analógica de grande formato. O filme foi exposto diretamente à radiação solar com um tempo de exposição de aproximadamente três minutos. Em seguida, o material foi revelado quimicamente e armazenado em condições controladas de temperatura e umidade, permitindo a transformação biológica da superfície da emulsão.
Os negativos que constituíam o material de origem foram posteriormente fotografados novamente em escala microscópica. A obra final consiste em centenas de fotogramas digitalizados, empilhados usando o software Helicon Focus e montados em uma única estrutura panorâmica no Photoshop.
Paweł usou uma câmera analógica de grande formato (construída sob medida), lente Tessar f/4.5 de 250 mm, filme slide Fujichrome 100 e exposição de 3 minutos
Veja na galeria:




Estrutura de premiação e exposição
Além do prêmio de 10 mil libras esterlinas ao vencedor geral, os vencedores das demais categorias e o vencedor da categoria jovem recebem 1.500 libras esterlinas (R$ 10,4 mil) cada. Os segundos colocados ganham 500 libras esterlinas (R$ 3,5 mil), e os destaques da lista recebem 250 libras esterlinas (R$ 1,7 mil). Prêmios especiais valem 750 libras esterlinas (R$ 5,2 mil). Todos os vencedores ganham uma assinatura anual da BBC Sky at Night Magazine.
As fotos do concurso também serão reunidas no livro Astronomy Photographer of the Year, Collection 15. Também é possível ver as fotos no site do concurso.
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