Asteroides de até 67 metros entram no radar da defesa planetária

Pesquisadores alertam para asteroides do tamanho de prédios que podem atingir a Terra ou a Lua ainda neste século.

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Asteroide próximo à Terra no espaço.
Ilustração de um asteroide se aproximando da Terra

A ameaça mais provável do espaço neste século talvez não seja um asteroide gigante digno de cinema, mas sim objetos menores, do tamanho de prédios, que podem atingir a Terra ou a Lua com mais frequência do que muita gente imagina. Pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, afirmam que astrônomos devem identificar, na próxima década, vários corpos pequenos em rota de impacto com o sistema Terra-Lua até o fim do século.

Esses objetos pertencem à chamada escala decamétrica. Ou seja, têm dezenas de metros de diâmetro. Eles ficam bem abaixo dos grandes asteroides capazes de provocar extinções em massa, mas aparecem com muito mais frequência. E isso muda bastante a conversa sobre defesa planetária.

O risco não é o fim do mundo, mas ainda preocupa

Os pesquisadores destacam que esse tipo de asteroide não costuma entrar na categoria de destruição global. Corpos realmente devastadores tendem a ter escala quilométrica ou mais. Esses são raros e podem atingir a Terra em intervalos de cerca de 10 milhões de anos.

Já os asteroides decamétricos são bem mais comuns. Segundo os cientistas, eles atingem o sistema Terra-Lua aproximadamente a cada poucas décadas.

Um exemplo recente é o asteroide 2024 YR4, descoberto há pouco mais de um ano. Ele mede entre 53 m e 67 m, algo comparável a um prédio de 15 andares. Segundo os pesquisadores do MIT, objetos dessa classe não devem causar vítimas humanas de forma automática. Ainda assim, se caírem sobre uma área povoada, podem provocar danos sérios.

A razão é a energia liberada. Um impacto desse tipo pode gerar uma explosão atmosférica equivalente a 8 a 10 megatons de TNT.

O desafio é enxergar o que vem vindo

O grande obstáculo está na detecção. Como são pequenos, esses asteroides refletem pouca luz. Observatórios em solo têm dificuldade para encontrá-los e acompanhá-los.

Telescópios espaciais conseguem desempenho melhor. O Telescópio Espacial James Webb, por exemplo, foi usado para acompanhar o 2024 YR4 e descartar recentemente um impacto na Lua em 2032.

Mas há um limite claro: o James Webb é muito disputado e não pode ficar dedicado o tempo todo a essa vigilância.

O plano para reagir ainda não existe

A expectativa agora recai sobre o Observatório Vera Rubin, que deve encontrar até 10 vezes mais asteroides decamétricos do que os já detectados. O problema é que ele é bom para achar objetos muito fracos, mas não tão eficiente para rastrear seu tamanho e trajetória com precisão.

Para contornar isso, a equipe do MIT desenvolve uma rede com outros telescópios, como os observatórios MIT Haystack e Wallace. A proposta inclui também análise de dados para separar objetos reais de ruídos e artefatos.

Mesmo assim, permanece uma pergunta: o que fazer quando um desses objetos realmente estiver a caminho? Segundo os pesquisadores, ainda não existe um marco internacional para lidar com essa situação.

Ou seja, a ciência já sabe que o risco existe. O mundo, por enquanto, ainda não decidiu como reagir.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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