Blue Origin e Intuitive Machines adiam pousos lunares
Só o módulo Griffin deve pousar na Lua em 2026. As outras três missões previstas para este ano ficaram para 2027 após atrasos técnicos.

O módulo de pouso lunar Griffin-1, da empresa Voyager Technologies, deve decolar não antes de novembro rumo à Lua e se tornar a única missão lunar robótica da NASA com lançamento previsto para 2026. A informação foi dada por Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da NASA, durante um simpósio nos Estados Unidos.
A agência havia planejado enviar quatro módulos à superfície lunar neste ano. Os outros três eram:
- Mark 1 Endurance, da Blue Origin,
- Nova-C Trinity, da Intuitive Machines, e
- Blue Ghost 2, da Firefly Aerospace
Porém, eles tiveram o lançamento adiado para 2027. A Griffin vai pousar em Mons Mouton, a montanha mais alta da Lua, localizada próximo ao polo sul lunar. Ela leva o rover robótico FLIP, da empresa Astrolab, para testar equipamentos que servirão a um futuro rover tripulado.

Por que os outros pousos foram adiados
O atraso do Mark 1 Endurance está ligado à explosão de um foguete New Glenn, da Blue Origin, na plataforma de lançamento na Flórida, em maio. O CEO da Blue Origin, David Limp, publicou na rede social X que a empresa está fazendo “progresso incrível” na reconstrução da infraestrutura da plataforma.
Segundo o Aerospace America, o administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou em junho que lançar o Mark 1 a bordo do New Glenn ainda é o “Plano A”, mas disse que a agência avalia alternativas.
Já o Nova-C Trinity, da Intuitive Machines, teve o adiamento anunciado por Steve Altemus, presidente e CEO da empresa, durante uma teleconferência de resultados em agosto. Segundo ele, o lançamento passa para o primeiro trimestre de 2027.
Como estão a montagem dos módulos
Apesar dos atrasos, García-Galán disse que o Nova-C está em “montagem final” e que a espaçonave já foi ligada para a viagem até a região de Reiner Gamma, na Lua, no início de 2027. O Mark 1, segundo o gerente, está “praticamente todo montado”.
Jacki Cortese, diretora sênior de espaço civil da Blue Origin, afirmou que o próximo passo do Mark 1 é um teste de abastecimento, antes de encapsular o módulo para o voo no início de 2027. “Obviamente, essa é uma missão de alto risco e alta recompensa. O primeiro voo de qualquer módulo lunar é assim”, disse Cortese.
Qual é o objetivo do programa de base lunar
Mark 1, Nova-C e os demais módulos servem para testar tecnologias do programa de base lunar da NASA, cujos primeiros elementos devem estar prontos até 2030. Até 2029, a agência concentra os esforços em demonstrações tecnológicas e na escolha do local da futura base. Depois disso, começa a segunda fase, dedicada à construção da infraestrutura.
“A primeira fase vai parecer um conjunto disperso de equipamentos espalhados por uma área de centenas de quilômetros quadrados”, disse García-Galán, “porque precisamos de vários módulos para comprovar que conseguimos pousar com segurança e obter dados reais de diferentes locais, para escolher uma área propícia à instalação de um habitat, por causa das condições de luz e temperatura e da linha direta de visada com a Terra.”
Com o adiamento de três das quatro missões, o calendário lunar da NASA passa a depender ainda mais do desempenho de Griffin. Se o pouso em Mons Mouton for bem-sucedido, a missão vai fornecer os primeiros dados de campo que a agência precisa para avançar rumo à construção da base lunar prevista para o fim da década.
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