Asteroide que matou os dinossauros veio de além de Júpiter
Isótopos de rutênio indicam que o asteroide de Chicxulub surgiu nas regiões frias do Sistema Solar, além da órbita de Júpiter.

O asteroide que contribuiu para a extinção dos dinossauros surgiu além da órbita de Júpiter. Pesquisadores chegaram a essa conclusão ao analisar metais raros deixados pelo impacto ocorrido há 66 milhões de anos.
O resultado, publicado na Science, ajuda a reconstruir a trajetória de um corpo com cerca de 10 a 15 quilômetros de diâmetro. De acordo com a pesquisa, ele atravessou o Sistema Solar antes de atingir a atual Península de Yucatán, no México.
Metais raros guardaram a origem do asteroide
Uma equipe liderada por Mario Fischer-Gödde, da Universidade de Colônia, na Alemanha, analisou isótopos de rutênio em camadas geológicas da Dinamarca, Itália e Espanha.
Isótopos são versões de um mesmo elemento químico com diferentes quantidades de nêutrons. Suas proporções funcionam como uma assinatura da origem do material.
O rutênio presente na camada do impacto veio principalmente do asteroide. A crosta terrestre contém pouco desse metal, o que facilita a identificação da contribuição externa.
A assinatura encontrada correspondeu aos condritos carbonáceos. Essa classe reúne asteroides primitivos que se formaram nas regiões frias além de Júpiter.
Os resultados também não corresponderam às assinaturas de cometas ou de asteroides rochosos formados nas regiões internas do Sistema Solar.
Impacto abriu uma cratera de 180 quilômetros
O asteroide viajava a cerca de 20 quilômetros por segundo quando atingiu a Terra. O choque abriu a cratera de Chicxulub, com aproximadamente 180 quilômetros de largura.
Parte da cratera fica sob o mar, enquanto outra parte permanece enterrada sob a Península de Yucatán.
O impacto vaporizou rochas e lançou grandes quantidades de material na atmosfera. Fragmentos aquecidos caíram sobre extensas áreas e contribuíram para incêndios.
Poeira e fuligem alcançaram as camadas superiores da atmosfera. Esse material reduziu a entrada de luz solar durante meses ou anos.
A queda da temperatura prejudicou a fotossíntese e desorganizou cadeias alimentares. Cerca de 75% das espécies desapareceram, incluindo todos os dinossauros não aviários.
Irídio ajudou a ligar a extinção ao impacto
De acordo com o ScienceDaily, em 1980, Luis Alvarez e Walter Alvarez encontraram uma concentração incomum de irídio na camada que marca o fim do período Cretáceo.
O irídio aparece em baixa quantidade na crosta terrestre, mas ocorre com maior frequência em asteroides. A descoberta fortaleceu a hipótese de um grande impacto.
Outras evidências surgiram depois, incluindo quartzo submetido a pressões extremas e pequenas esferas de material fundido. Cientistas identificaram a cratera de Chicxulub por volta de 1990.
Um visitante raro das regiões externas
Asteroides do tamanho do objeto de Chicxulub atingem a Terra em intervalos de dezenas de milhões de anos.
Os astrônomos já catalogaram a maior parte dos grandes asteroides próximos da Terra. Nenhum objeto conhecido desse porte segue atualmente uma trajetória de impacto.
Sobre o Autor
0 Comentários