Excesso de confiança atrasou a Starliner, aponta análise

Relatório da NASA liga falhas do Starliner a excesso de confiança, prazos irreais e pouca visibilidade sobre dados críticos.

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Foto da montagem do Veículo de Teste de Voo Tripulado da Nave Espacial Boeing CST-100 Starliner em 2018. Imagem: Wikimedia Commons
Foto da montagem do Veículo de Teste de Voo Tripulado da Nave Espacial Boeing CST-100 Starliner em 2018. Imagem: Wikimedia Commons

A fiscalização interna da NASA apontou três causas centrais para os problemas da Starliner, cápsula da Boeing para levar astronautas à ISS (Estação Espacial Internacional). A análise cita excesso de confiança, cronogramas irreais e acesso limitado a dados de simulação.

Até o momento, a Starliner ainda não recebeu certificação para missões regulares com tripulação. A Estação Espacial Internacional deve encerrar operações em 2030.

O que deu errado no programa Starliner

A Starliner não voa desde o Crew Flight Test, em junho de 2024. A missão sofreu falhas nos propulsores e outros problemas técnicos.

A NASA decidiu trazer a nave de volta à Terra sem tripulação. Os astronautas que viajaram no Starliner permaneceram na ISS até março de 2025.

Eles voltaram em uma cápsula Crew Dragon. Esse desfecho reforçou a dependência da NASA de outra opção de transporte para a estação.

A avaliação também analisou dois voos de teste anteriores sem tripulação. Os problemas apareceram de forma recorrente desde 2019.

Excesso de confiança entrou na conta

A NASA confiou demais no projeto da Boeing, segundo a análise. A agência considerou a experiência espacial da empresa e o uso de sistemas herdados.

Essa confiança levou a uma decisão crítica. A Boeing não fez testes integrados de alguns sistemas antes dos voos.

O relatório afirma que a NASA aceitou esse caminho. A agência também aprovou um cronograma que tratava o voo tripulado como sempre próximo.

A partir de maio de 2021, o programa operou como se o teste estivesse a apenas seis meses. O lançamento ocorreu apenas em junho de 2024.

Simulações não receberam atenção suficiente

Outro ponto envolve os dados do simulador de voo do Starliner. O contrato entre NASA e Boeing limitava o acesso a parte dessas informações.

Ainda assim, a fiscalização diz que a agência não usou todos os dados disponíveis antes do voo. Isso incluía simulações com perda de veículo ou tripulação.

A tripulação do teste comparou a situação com a era dos ônibus espaciais. Naquela fase, falhas em simulação geravam investigações abertas e comunicação direta aos astronautas.

Falta de equipe agravou a pressão

O escritório do programa comercial tripulado perdeu 21% do pessoal até abril de 2025. A perda ocorreu por saídas e reorganizações internas.

A equipe também não sabia se manteria acesso a especialistas de outras áreas da NASA. Esses profissionais ajudam na revisão de segurança dos veículos.

A classificação formal do voo como acidente Tipo A só ocorreu em fevereiro de 2026. Essa categoria cobre falhas graves, com alto impacto técnico e organizacional.

Para a fiscalização, a demora de 21 meses atrasou a solução de problemas do Starliner.

Boeing vê avanço, mas certificação pode ficar para 2027

Kelly Ortberg, CEO da Boeing, afirmou que a empresa executou a maior parte das correções após o voo de teste. Ele disse que o plano ainda inclui novos lançamentos.

“Temos uma boa compreensão dos problemas dos propulsores e das ações corretivas”, disse Ortberg ao SpaceNews.

A visão oficial da fiscalização segue mais cautelosa. A certificação no segundo semestre de 2026 parece irrealista diante dos atrasos atuais.

O relatório estima que a aprovação pode atrasar para 2027. A Starliner-1 ainda não tem data marcada.

Testes sobre vazamentos de hélio e falhas no sistema de propulsão ainda não terminaram. A NASA também não sabe quando concluirá a certificação humana da nave.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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