Ostra no espaço? Ideia pode ajudar astronautas em missões

Pesquisa testa ostras em sistema fechado de aquicultura que pode ajudar na nutrição, na água e no suporte à vida no espaço.

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ostras espaco

Astronautas do futuro poderão contar com ostras em missões espaciais de longa duração. A ideia vem de um projeto da Universidade de Harrisburg, nos EUA, em parceria com a empresa norte-americana Monolith Space, que estuda sistemas vivos para suporte à vida no espaço.

A proposta ainda está em fase inicial, mas chama atenção por unir alimentação, reciclagem de água e pesquisa biológica. As ostras filtram água naturalmente, característica que pode ganhar valor em bases lunares, viagens a Marte e futuras estações comerciais.

O que as ostras podem fazer no espaço

O projeto faz parte de uma linha chamada suporte biogenerativo à vida. Ou seja, sistemas que usam organismos vivos para ajudar astronautas com comida, água e ar.

A equipe não estuda apenas ostras. Pesquisadores e estudantes também analisam algas, moluscos, peixes e hidroponia, técnica que cultiva plantas na água.

A diferença das ostras está no papel natural desses animais. Elas filtram água enquanto se alimentam. Em uma missão espacial, essa capacidade pode ajudar em sistemas fechados, onde cada litro precisa circular com controle.

O objetivo ainda não envolve uso operacional em missões. A universidade descreve o sistema como uma forma automatizada e fechada de cultivar e estudar organismos marinhos úteis para nutrição e pesquisa.

Por que isso ainda não foi testado na ISS

Ao Space, Jacob Scoccimerra, fundador da Monolith Space, afirma que as ostras ainda não voaram ao espaço até onde ele sabe. O motivo principal não é falta de curiosidade científica.

A Estação Espacial Internacional não possui hoje uma instalação dedicada para esse tipo de experimento. Seria necessário um sistema parecido com um aquário, com controle ambiental adequado.

A ISS já teve um habitat aquático até 2012. Scoccimerra descreveu esse equipamento como pequeno, com menos de 3 litros. Ele servia principalmente para estudar peixes pequenos.

“Não há uma instalação grande o suficiente para abrigar organismos como ostras”, afirmou Scoccimerra.

Um aquário fechado para missões longas

A Universidade Harrisburg e a Monolith Space desenvolvem um protótipo de aquicultura em circuito fechado. O sistema usa larvas de ostras (chamadas spat) e acompanha o crescimento até a fase adulta.

Rachel Fogle, professora associada, e Glenn Williams, instrutor, orientaram o desenvolvimento. A equipe apresentou um protótipo em abril. Após a apresentação, a Monolith levou o habitat para seu escritório em Washington. Lá, a equipe continua alimentando e monitorando as ostras.

Scoccimerra afirma que o projeto avançou cerca de um terço nos níveis de prontidão tecnológica da NASA. Essa escala mede o amadurecimento de uma tecnologia rumo ao uso espacial.

A equipe da Monolith com o protótipo de aquacultura de ostras. Imagem: Universidade Harrisburg/Monolith Space
A equipe da Monolith com o protótipo de aquacultura de ostras. Imagem: Universidade Harrisburg/Monolith Space

O caminho até um teste orbital

Especialistas da NASA deram orientações sobre o desenho do sistema. A equipe busca adaptar o protótipo aos requisitos de interface para cargas úteis da ISS.

Esse ajuste também pode ajudar em futuras estações espaciais comerciais. Isso não garante um lançamento, mas aumenta a chance de um teste orbital.

“O caminho é lançar primeiro um experimento menor para a ISS ou uma plataforma parecida, e construir a partir daí”, afirmou Scoccimerra.

A pesquisa surge em um momento em que a NASA prepara o retorno de astronautas à Lua pelo programa Artemis. Em janeiro passado, a agência colocou comida e nutrição para Marte e presença lunar sustentada entre suas prioridades tecnológicas.

Humanos comem ostras há cerca de 100 mil anos, segundo a universidade. Agora, esses animais podem entrar em outra etapa da nossa história alimentar, como a tentativa de viver longe da Terra com sistemas mais eficientes e menos dependentes de reabastecimento.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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