NASA tenta salvar telescópio que está caindo da órbita

O observatório Swift está perdendo altitude e a NASA aposta em uma nave comercial para empurrá-lo a uma órbita mais segura.

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Ilustração do observatório espacial Swift.
Ilustração do observatório espacial Swift. Imagem: NASA

A NASA quer salvar o observatório espacial Swift antes que ele caia na atmosfera da Terra. A missão Swift Boost deve ser lançada no próximo sábado, 27 de junho de 2026.

O plano tenta prolongar a vida de um telescópio científico sem sistema próprio de propulsão. A operação também testa um novo mercado de manutenção de satélites em órbita.

Um telescópio valioso está perdendo altitude

O Swift trabalha há mais de 20 anos no espaço. Ele caça explosões de raios gama, os eventos mais energéticos conhecidos no Universo.

A NASA lançou o observatório em 2004, com custo de US$ 250 milhões. A missão original deveria durar dois anos.

Porém, o telescópio superou muito essa previsão. Ele já detectou mais de 2 mil fontes ligadas a esses clarões de alta energia.

Ao Space, Brad Cenko, investigador principal do Swift, afirmou que essas explosões liberam em poucos segundos mais energia do que o Sol produzirá durante toda sua vida.

O problema veio da atmosfera da Terra

O Swift não tem motores. Ele depende da órbita em que entrou originalmente, a cerca de 600 quilômetros de altitude.

A atividade solar aumentou e expandiu a atmosfera terrestre. Essa expansão criou mais arrasto sobre o telescópio e acelerou sua queda.

A equipe percebeu no ano passado que o Swift descia mais rápido do que o esperado. Sem resgate, ele poderia reentrar até o fim deste ano.

Desde fevereiro, o observatório opera em modo de baixa energia. A medida tenta preservar altitude enquanto a missão de resgate se aproxima.

A aposta em uma nave comercial

A NASA escolheu a empresa Katalyst Space Technologies em setembro de 2025. A empresa recebeu US$ 30 milhões para criar uma nave capaz de elevar a altitude do Swift.

O veículo se chama Link. Ele tem 425 quilogramas, três braços robóticos, três propulsores Hall principais e 16 pequenos propulsores de controle.

O Link deve voar ao espaço em um foguete Pegasus XL. O lançamento usa um avião L-1011 Stargazer, que levará o foguete até a região do Atol de Kwajalein, no Pacífico Sul.

Kieran Wilson, investigador principal do Link, disse que a equipe saiu de uma folha em branco para uma nave integrada em nove meses.

Por que a missão é difícil

O Swift nunca recebeu projeto para acoplamento. O Link precisará se aproximar, agarrar o observatório e elevar sua órbita durante vários meses.

A nave fará testes iniciais após o lançamento. Depois disso, começará as manobras para alcançar o telescópio.

Os riscos seguem altos, pois os painéis solares do Link podem falhar. Já as mantas de isolamento do Swift podem estar frágeis após duas décadas no espaço.

Uma tempestade solar também pode piorar o cenário. Se o Swift cair abaixo de 300 quilômetros até outubro, o Link pode perder a chance de alcançá-lo.

O futuro da manutenção espacial

Se a missão der certo, o Swift pode ganhar cinco anos ou mais de operação. Depois do serviço, o Link deve se separar e cair de forma controlada.

A Katalyst vê esse voo como início de um novo modelo. Em vez de descartar satélites caros, empresas podem consertar, rebocar ou prolongar missões.

A próxima nave da empresa se chama Nexus. Seu primeiro teste pode ocorrer em 2027 em um satélite da Força Espacial dos Estados Unidos.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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