Urano e Netuno podem não ser tão gelados assim

Nova simulação sugere que Urano e Netuno têm camadas externas ricas em rochas, hidrogênio e hélio, desafiando a classificação clássica de “gigantes de gelo”.

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Os planetas Urano e Netuno fotografados pela sonda Voyager 2. Imagem: NASA
Os planetas Urano e Netuno fotografados pela sonda Voyager 2. Imagem: NASA

Urano e Netuno podem não ser tão “gelados” quanto os livros de astronomia costumam indicar. Um estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, sugere que os dois planetas podem ter camadas externas cheias de rochas, além de hidrogênio e hélio.

A descoberta importa porque mexe com uma das classificações mais conhecidas do Sistema Solar. Em vez de chamar Urano e Netuno apenas de gigantes de gelo, os pesquisadores defendem uma descrição menos enganosa: “gigantes menores”.

Planetas famosos pelo gelo podem ter muito mais rocha

Urano e Netuno orbitam nas regiões frias e distantes do Sistema Solar. Por isso, a astronomia costuma tratá-los como gigantes de gelo, uma categoria diferente dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno.

O modelo clássico descreve os dois mundos com núcleos rochosos internos, mantos gelados e atmosferas espessas. Essas atmosferas contêm hidrogênio, hélio, metano e nuvens de silicato.

O novo estudo, porém, propõe um cenário mais complexo. Yamila Miguel, do Instituto Holandês de Pesquisa Espacial, afirma que Urano e Netuno têm camadas externas compostas principalmente por rochas, junto com hidrogênio e hélio.

Como uma atmosfera pode ter rochas?

A ideia parece estranha, mas faz sentido dentro das condições extremas desses planetas. Em algumas regiões de alta pressão, a atmosfera gasosa pode se comportar como fluido.

Os pesquisadores simularam a composição dos envelopes planetários, dos mantos e dos núcleos. Envelope, neste caso, reúne as camadas internas e externas da atmosfera.

As simulações consideraram a temperatura em diferentes partes desses envelopes. Com isso, a equipe observou que nuvens de silicato poderiam condensar em certas regiões.

Ou seja, materiais associados a rochas poderiam se formar e permanecer nessas camadas atmosféricas. Não seria uma chuva de pedras comum, mas um ambiente planetário onde pressão e temperatura mudam a forma da matéria.

A pista veio de além de Netuno

De acordo com o Space, a equipe decidiu olhar para Urano e Netuno depois de estudos recentes sobre objetos transnetunianos. Essa região gelada fica além da órbita de Netuno.

Pesquisas anteriores indicaram que corpos como Plutão, cometas e objetos do cinturão de Kuiper podem ter composição mais rochosa do que gelada. Isso levou Miguel e sua equipe a fazer uma pergunta direta: se esses objetos têm muita rocha, Urano e Netuno também poderiam ter?

A classificação ainda não mudou

O estudo não cria uma nova classificação oficial para Urano e Netuno. Também não prova, de forma definitiva, que os dois planetas devem abandonar o rótulo de gigantes de gelo.

Ainda assim, ele abre uma discussão importante. Miguel afirma que eles podem ter bastante gelo em seus interiores, mas não seriam completamente gelados como se acreditava.

A proposta de chamá-los de “gigantes menores” tenta evitar uma imagem simplificada demais. Urano e Netuno continuam entre os mundos mais misteriosos da vizinhança cósmica, justamente porque escondem muito sob suas atmosferas frias e distantes.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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