Brasil foi à Lua no pulso dos astronautas da NASA
Gadget criado por empresa brasileira registrou sono, luz e atividade da tripulação em uma das missões mais importantes do retorno humano à Lua.

Os astronautas da Artemis 2 levaram no pulso um actígrafo brasileiro durante a viagem tripulada ao redor da Lua. O dispositivo, criado pela empresa Condor Instruments, localizada na cidade de São Paulo, registrou sono, movimento e exposição à luz desde o primeiro dia da missão, em 1º de abril de 2026.
Um aparelho discreto em uma missão histórica
O actígrafo parece um relógio de pulso, mas funciona como um pequeno vigia biológico. Ele acompanha ciclos de atividade e repouso, níveis de movimento, exposição à luz e sinais ligados ao ritmo do corpo.
Esse ritmo recebe o nome de circadiano. Ele ajuda a regular sono, temperatura corporal, metabolismo e produção hormonal. Ou seja, funciona como o relógio interno que diz ao organismo quando desacelerar ou ficar alerta.
No espaço, ter esse controle é importante. Astronautas enfrentam ambientes extremos, rotinas incomuns e ausência do ciclo natural de dia e noite visto na Terra.

Como a tecnologia brasileira entrou na missão
De acordo com a Revista Pesquisa Fapesp, a tecnologia do actígrafo nasceu após 20 anos de desenvolvimento. A Condor Instruments surgiu em 2013, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, da FAPESP.
A empresa paulista criou o produto a partir de um protótipo ligado a estudos de pesquisadores da USP. Em 2023, a NASA procurou tecnologias para monitorar o ritmo circadiano da tripulação da Artemis 2.
Após a seleção, a agência escolheu o actígrafo brasileiro entre os concorrentes. A empresa vende o aparelho por US$ 700 no mercado externo, cerca de R$ 3,4 mil.
Por que a Artemis 2 importou
A missão Artemis 2 levou Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen a bordo da cápsula Orion. A tripulação percorreu 406.777 quilômetros em 10 dias.
Com isso, os astronautas superaram em mais de 6 mil quilômetros o recorde da Apollo 13, registrado em 1970. Eles também passaram pelo lado oculto da Lua, região que a Terra não mostra por inteiro.
A NASA usou a missão como um grande teste tripulado no espaço lunar. O objetivo envolveu validar sistemas da Orion, procedimentos de emergência e a capacidade de manter pessoas vivas durante a viagem e o retorno.
Do pulso dos astronautas à comida no espaço
A participação brasileira no programa Artemis também aparece em outra frente: a agricultura espacial. A Rede Space Farming Brazil reúne 24 instituições e cerca de 60 pesquisadores, sob coordenação da Embrapa.
Os estudos miram grão-de-bico e batata-doce. O grão-de-bico entrega cerca de 21 gramas de proteína a cada 100 gramas. Já a batata-doce oferece carboidratos complexos e pode tolerar melhor a radiação.
Em 2025, pesquisadores enviaram amostras dessas plantas em uma missão suborbital da Blue Origin. Elas ficaram expostas à microgravidade e agora passam por sequenciamento genômico nos Estados Unidos.
A Embrapa também prevê enviar microrganismos em agosto de 2026, em foguete suborbital da Força Aérea Brasileira. O lançamento ocorrerá no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte.
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