Oceanos alienígenas podem ter ondas estranhas

Um novo modelo chamado PlanetWaves mostra como gravidade, atmosfera e tipo de líquido podem mudar completamente o comportamento das ondas fora da Terra.

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ondas do oceano batendo em terra durante o dia
Imagem: Unsplash/Philip Graves

Um novo estudo indica que ondas em mundos alienígenas podem se comportar de forma muito diferente das ondas da Terra. O modelo PlanetWaves mostra que uma brisa leve, quase sem impacto em um lago terrestre, poderia gerar ondas de cerca de 3 metros em Titã, a maior lua de Saturno.

A descoberta, publicada no Journal of Geophysical Research: Planets, importa porque ondas não servem apenas para formar paisagens bonitas. Elas misturam líquidos, carregam sedimentos, moldam margens e podem guardar pistas sobre a história climática de planetas e luas.

Por que as ondas alienígenas são tão diferentes?

Na Terra, nossa intuição sobre ondas vem da água, da gravidade terrestre e da atmosfera que conhecemos. Fora daqui, esse pacote muda completamente.

Uma onda depende da gravidade, mas não apenas dela. Também depende da densidade do líquido, da viscosidade, da tensão superficial e da forma como o vento transfere energia para a superfície.

Ou seja, um oceano alienígena não precisa se parecer com o mar da Terra. Ele pode ser feito de metano, ácido sulfúrico, lava ou outros materiais em condições extremas.

Até agora, muitos modelos tentavam prever ondas fora da Terra olhando principalmente para um único fator, como a gravidade. Isso limitava a análise, porque deixava de fora ingredientes essenciais do fenômeno.

O que é o PlanetWaves?

Para enfrentar esse problema, os pesquisadores criaram o PlanetWaves. O modelo combina gravidade, atmosfera e propriedades do líquido, como densidade, viscosidade e tensão superficial.

Segundo os autores, o modelo produz um espectro em quatro dimensões das elevações da superfície líquida em resposta a um clima de vento aplicado. Eles afirmam que essa abordagem física pode ser usada em qualquer planeta.

Na prática, a pergunta é simples: o que acontece quando o vento toca pela primeira vez um lago perfeitamente calmo? Qual força basta para criar uma ondulação? Quando essa ondulação vira onda? E qual altura ela pode alcançar?

De um lago terrestre aos mares de Titã

Antes de viajar para mundos distantes, o modelo voltou para casa. Os pesquisadores compararam o PlanetWaves com duas décadas de medições feitas por boias no Lago Superior, na América do Norte.

Depois, aplicaram o modelo a ambientes muito mais estranhos. Em Titã, os lagos são feitos de metano e etano líquidos, não de água.

Com baixa gravidade, baixa pressão atmosférica e líquidos mais leves, a formação de ondas se torna surpreendentemente fácil. O modelo indica que uma brisa leve poderia levantar ondas de cerca de 3 metros, lentas, mas visualmente impressionantes.

Veja abaixo a simulação de como podem ser as ondas em Titã em comparação com a Terra:

Marte antigo, exoplanetas e oceanos de lava

O estudo também analisou Marte no passado, incluindo regiões como a cratera Jezero. À medida que Marte perdeu atmosfera ao longo de bilhões de anos, a pressão na superfície caiu. Com isso, ventos cada vez mais fortes seriam necessários para produzir ondas semelhantes.

Em exoplanetas, o cenário fica ainda mais extremo. Em LHS 1140 b, descrito como um mundo gelado semelhante à Terra, a gravidade mais forte reduz o crescimento das ondas. Já em Kepler-1649b, lagos densos de ácido sulfúrico resistiriam ao movimento.

Em 55 Cancri e, onde oceanos poderiam ser feitos de rocha derretida, ventos de furacão de cerca de 129 km/h produziriam ondas de apenas poucos centímetros. A lava pesada e viscosa simplesmente não se mexe como água.

O que essas ondas podem revelar

O PlanetWaves pode ajudar a interpretar paisagens que ainda não entendemos bem. Titã, por exemplo, tem rios e costas, mas poucos deltas, estruturas comuns na Terra.

Se as ondas agem de outro modo por lá, elas podem estar remodelando a paisagem de maneira inesperada. O modelo também pode ajudar futuras missões a projetar sondas capazes de pousar em lagos alienígenas.

Por enquanto, ainda há incertezas. O modelo depende de condições que não foram observadas diretamente, principalmente em exoplanetas e em Titã. O próximo passo será comparar as previsões com medições reais de missões futuras ou observações mais precisas.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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