Cometa perto da Terra acende segunda cauda
Imagens feitas por uma nave que observa o Sol mostram o Cometa C/2025 R3 PanSTARRS com uma cauda de íons surgindo durante sua maior aproximação do planeta.

Uma nave espacial dedicada a observar o Sol registrou um momento raro do Cometa C/2025 R3 PanSTARRS. Durante sua maior aproximação da Terra, em 26 de abril, o objeto pareceu “ligar” uma segunda cauda enquanto passava a cerca de 72 milhões de quilômetros do planeta.
Um cometa em passagem decisiva
O Cometa C/2025 R3 PanSTARRS foi descoberto em setembro de 2025. Desde então, despertou expectativa entre observadores de cometas, principalmente durante sua corrida em direção ao Sol.
Havia até a dúvida se o objeto poderia ficar brilhante o bastante para se tornar o “grande cometa de 2026“. Esse brilho, no entanto, depende de como o núcleo reage ao aquecimento solar e de quanto material ele libera no espaço.
O cometa passou pelo periélio, o ponto mais próximo do Sol, em 19 de abril. Poucos dias depois, alcançou o perigeu, sua maior aproximação da Terra, antes de seguir de volta para regiões externas do Sistema Solar.
Por que ele tem duas caudas?
Cometas são como cápsulas antigas de gelo e poeira. Quando chegam perto do Sol, esse material começa a escapar do núcleo sólido por sublimação. Ou seja, o gelo passa direto para o estado gasoso, sem virar líquido.
Esse processo libera poeira e gás ao redor do cometa. As partículas de poeira, mais pesadas, recebem o empurrão da luz solar e formam uma cauda ampla, muitas vezes curva. Essa cauda reflete bem a luz do Sol e pode se estender por milhões de quilômetros.
Por isso, a cauda de poeira costuma aparecer de forma impressionante em fotos de longa exposição. Em alguns casos, ela também ajuda o cometa a ficar visível a olho nu.
A segunda cauda que “ligou” no espaço
A segunda cauda tem outra origem. A radiação ultravioleta do Sol arranca elétrons de moléculas de gás ao redor do cometa. Esse processo se chama ionização.
Com isso, surgem partículas carregadas eletricamente. Elas entram no fluxo do vento solar, uma corrente de partículas que sai do Sol a centenas de quilômetros por segundo.
Esse vento empurra a cauda de íons para longe do Sol. Por isso, ela tende a ser mais reta e sempre aponta na direção oposta à estrela.
O detalhe mais marcante é o contraste entre as duas caudas. A de íons reage com rapidez ao vento solar. Já a de poeira, formada por partículas maiores, se move mais devagar e fica atrasada em relação à primeira.
Onde encontrar o cometa no céu
No hemisfério sul (incluindo o Brasil), durante o começo de maio, o cometa deve estar por volta da magnitude 4. Esse brilho permite boa observação com binóculos 10×50. Sob céus realmente escuros, ainda pode aparecer a olho nu como uma mancha difusa.
Em 1º de maio, o cometa entra na constelação de Erídano. Entre 7 e 8 de maio, passa entre a Nebulosa Cabeça de Bruxa, NGC 1909, e NGC 1788.
Em 8 de maio, entra em Órion. De 10 a 12 de maio, poderá ser visto a cerca de 2° da Nebulosa de Órion, um dos alvos mais famosos do céu profundo.
Em 16 de maio, cruza a fronteira entre Órion e Unicórnio. Entre 23 e 25 de maio, passa a cerca de 1° da Nebulosa do Retângulo Vermelho.

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