NASA quer enviar helicópteros a Marte com espaçonave nuclear

Agência revela plano para lançar em 2028 uma missão a Marte com tecnologia nuclear e 6 helicópteros

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Ilustração da espaçonave Space Reactor-1 Freedom.
Ilustração da espaçonave Space Reactor-1 Freedom. Imagem: NASA

A NASA confirmou que pretende lançar em 2028 a missão Skyfall, um projeto que combina duas ideias de forte apelo tecnológico: uma frota de pequenos helicópteros para sobrevoar Marte e uma nova forma de viajar pelo espaço profundo usando propulsão elétrica nuclear.

A novidade foi anunciada nesta terça-feira (24) e marca um passo importante para tecnologias que podem sustentar missões mais longas e complexas fora da órbita da Terra.

No centro da missão está a Space Reactor-1 Freedom (ou SR-1 Freedom), descrita pela NASA como a primeira espaçonave interplanetária movida a energia nuclear. É ela que deverá levar os helicópteros Skyfall até Marte.

O que a missão vai fazer em Marte

A proposta da Skyfall é enviar seis helicópteros de reconhecimento ao planeta vermelho. Esses veículos devem explorar áreas escolhidas pela NASA e pela indústria como candidatas importantes para futuras aterrissagens de astronautas em Marte.

A ideia é inspirada no Ingenuity, o pequeno helicóptero que chegou a Marte com o rover Perseverance em fevereiro de 2021. Ele se tornou o primeiro helicóptero a voar em outro mundo e realizou 72 voos entre abril de 2021 e janeiro de 2024.

Mas a Skyfall vai além de um teste tecnológico. Enquanto o Ingenuity serviu como demonstração de capacidade, os novos helicópteros foram pensados para executar tarefas científicas e de apoio à exploração.

Segundo a agência, cada helicóptero poderá operar de forma independente, transmitindo imagens de alta resolução da superfície marciana e dados de radar do subsolo. Na prática, isso significa observar o terreno por cima e também “enxergar” o que está escondido abaixo da poeira e das rochas, como se a missão usasse olhos no céu e um scanner voltado para o chão.

Por que a nave nuclear chama tanta atenção

Embora os helicópteros sejam o elemento mais fácil de imaginar, a grande novidade técnica da missão pode ser justamente o veículo que vai transportá-los. A SR-1 Freedom usará propulsão elétrica nuclear, conhecida pela sigla NEP.

Esse sistema funciona de maneira parecida com uma usina nuclear na Terra, porque depende de um reator de fissão a bordo. O calor gerado pelo reator é convertido em eletricidade, e essa eletricidade alimenta propulsores elétricos de alta eficiência.

A NASA faz questão de diferenciar essa tecnologia dos geradores termoelétricos de radioisótopos (os RTGs), usados há décadas em sondas do espaço profundo, como a Voyager. Os RTGs geram eletricidade a partir do calor da decadência radioativa, mas não participam diretamente da propulsão da nave.

No caso da NEP, a energia nuclear entra no coração do sistema de deslocamento. Para a NASA, trata-se de uma tecnologia capaz de operar em qualquer distância do Sol, algo importante para missões robóticas no Sistema Solar exterior e também para a infraestrutura necessária a projetos humanos mais duradouros.

O que a NASA espera provar com a SR-1 Freedom

Ao apresentar a missão, a agência afirmou que a SR-1 Freedom deverá estabelecer um histórico de voo para hardware nuclear, criar precedentes regulatórios e de lançamento e ativar a base industrial para futuros sistemas de energia por fissão.

Em termos mais simples, a missão não serve apenas para chegar a Marte. Ela também funciona como um teste de confiança. É como colocar uma tecnologia nova na estrada pela primeira vez para provar que ela pode ser usada depois em veículos maiores, missões mais difíceis e operações mais longas.

A NASA também relaciona esse avanço a objetivos mais amplos, como a exploração sustentada além da Lua e futuras jornadas a Marte e ao Sistema Solar exterior.

Um teste com alcance muito maior do que uma única missão

A Skyfall ainda tem muitos detalhes em aberto. Informações como duração da missão, local exato de operação em Marte e cronograma detalhado da viagem não foram divulgadas.

Ainda assim, a missão reúne exploração aérea em Marte, busca por recursos úteis a astronautas e uma tecnologia de propulsão que a NASA vê como peça importante para a próxima era da exploração espacial.

Se funcionar como planejado, a Skyfall pode ser lembrada não só pelos voos em Marte, mas pelo início de uma nova maneira de atravessar o espaço entre os planetas.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.