Astrofísico mostra como fotografou eclipse com telescópio de 90 mm e câmera antiga

Astrônomo amador registrou 36 quadros de um eclipse parcial no Reino Unido e capturou efeitos raros de física solar e atmosférica.

Adicione o Futuro Astrônomo no Google
Ao adicionar o Futuro Astrônomo no Google por meio deste link, você indica que gostaria de ver mais conteúdo nosso nos resultados da Busca do Google.
montagem eclipse solar 2026
Montagem fotográfica do eclipse solar de 12 de agosto de 2026, visto da Ilha de Wight, no Reino Unido. (Crédito: Sean Ryan)

Um eclipse solar parcial cobriu mais de 90% do disco do Sol no Reino Unido em 12 de agosto de 2026. Sean G. Ryan, professor de Astrofísica da University of Hertfordshire, na Inglaterra, registrou toda a sequência a partir da Ilha de Wight.

Ryan usou um telescópio Maksutov-Cassegrain de 90 milímetros de abertura, modelo Meade ETX-90, montado sobre uma base equatorial com motor a bateria. A luz passou por um filtro solar de vidro de abertura total OD5 e por uma ocular de 25 milímetros de distância focal, em um arranjo de projeção ocular.

As imagens foram capturadas por uma câmera digital CCD Sony Cyber-shot de 5 megapixels, em modo manual, com ISO 100, abertura f/5.6, foco fixo ajustado em f/2.8 e tempo de exposição variando entre 1/400 e 1/13 de segundo, ajustado conforme a luminosidade caía ao longo da observação.

Eclipse de agosto 2026

O eclipse foi visível como evento parcial em todo o Reino Unido, com cobertura solar acima de 90% dependendo da localização, entre aproximadamente 18h e 20h no horário local, o que corresponde a 14h às 16h em Brasília.

A totalidade do fenômeno só ocorreu no norte da Espanha. O verão quente e seco no Reino Unido garantiu céu limpo na maior parte do país naquela noite. Campanhas de conscientização feitas por sociedades astronômicas profissionais e amadoras prepararam o público com antecedência, e muita gente usou óculos apropriados (ou peneiras de cozinha) para observar padrões de sombra projetados pela luz solar.

Ryan acompanhou o fenômeno da Ilha de Wight, no sul da Inglaterra, ainda que a maior cobertura registrada no território britânico tenha ocorrido na Cornualha.

Como foi registrada a sequência do eclipse

Ao Physics World, Ryan se define como um observador visual tradicional e usou equipamento com mais de 20 anos de uso para capturar o eclipse. A montagem final reúne 36 quadros que cobrem toda a sequência do fenômeno, do início ao fim.

O conjunto de imagens mostra o movimento relativo entre Terra, Lua e Sol. Três grupos de manchas solares aparecem nos quadros e ajudam a demarcar o equador do Sol, já que a câmera foi alinhada com essas manchas e a montagem equatorial manteve essa orientação durante toda a captura.

Por que a borda do Sol parece mais escura

A silhueta da Lua tem contorno nítido nas imagens porque o satélite não tem atmosfera. Já o Sol aparece mais brilhante no centro do que nas bordas, um efeito chamado escurecimento de limbo.

O fenômeno acontece por causa do gradiente de temperatura na fotosfera solar, a camada visível e tênue do Sol. Ou seja, o que os olhos humanos percebem como a borda do Sol é, na verdade, uma transição de opacidade que muda conforme o comprimento de onda da luz.

De prateado a laranja

O filtro solar OD5 usado por Ryan deu ao disco solar um tom prateado-azulado no início da observação. Conforme o Sol descia no céu, a dispersão e a absorção da luz pela atmosfera, mais fortes em comprimentos de onda curtos, avermelharam progressivamente a imagem.

O disco prateado passou a ficar amarelo e depois laranja perto do horizonte. Nos últimos quadros da sequência, o Sol também aparece achatado, efeito da refração atmosférica diferencial típica de astros baixos no horizonte, e nuvens terrestres entram no enquadramento final.

Como as imagens foram tratadas depois da captura

O processamento das fotos foi mínimo e feito no software de código aberto ImageJ, ferramenta usada principalmente em imagens biomédicas. Ryan corrigiu sombras causadas por poeira nas lentes dividindo cada quadro por uma exposição de céu limpo normalizada.

Os quadros também foram recortados manualmente e tiveram a intensidade reescalada, para compensar o aumento da absorção atmosférica conforme o Sol se aproximava do horizonte e as mudanças no tempo de exposição usado em cada etapa.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe do Futuro Astrônomo. Astrônomo amador há mais de 30 anos, cobre descobertas científicas, missões espaciais e observação do céu desde 2002, quando lançou um dos primeiros blogs de astronomia do Brasil. Tem formação em jornalismo e está se especializando em planetologia. Também é fã de Star Trek.

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *