SpaceX lança 1º satélite comercial com fonte nuclear
BOHR testa fonte betavoltaica com trítio em órbita e pode ajudar futuras missões em regiões sem luz solar constante.

A SpaceX lançou nesta terça (7) o BOHR, descrito como o primeiro satélite comercial com sistema nuclear a alcançar a órbita. O cubesat da empresa norte-americana City Labs viajou no foguete Falcon 9 da missão Transporter-17, a partir da Califórnia, nos EUA.
Um teste nuclear em escala compacta
BOHR significa “Betavoltaico orbital de alta confiabilidade” na sigla em inglês. A missão testa em órbita uma fonte de micropotência chamada NanoTritium, desenvolvida pela City Labs.
A tecnologia usa o decaimento radioativo do trítio para gerar eletricidade. As partículas beta emitidas nesse processo podem virar corrente elétrica por meio de um semicondutor.
O princípio lembra, em parte, os geradores nucleares usados em sondas distantes. As Voyager, da NASA, usam calor de plutônio em geradores termoelétricos.
A diferença está na escala e no mecanismo. O NanoTritium busca entregar energia contínua em um formato compacto, pensado para aplicações comerciais.

O satélite ainda usa energia solar
O núcleo de trítio não alimenta todas as operações do BOHR. O cubesat ainda depende de energia solar para funcionar de forma geral.
A missão serve como demonstração tecnológica. A City Labs quer provar que o sistema pode operar no ambiente espacial com segurança e controle regulatório.
“Este é um passo histórico para a energia nuclear comercial no espaço”, disse Peter Cabauy, CEO da City Labs, ao Space.
Por que isso importa para a exploração espacial
A energia solar funciona bem perto do Sol e em órbitas iluminadas. Porém, ela perde força em regiões escuras, sombreadas ou muito distantes.
A Lua, por exemplo, tem regiões permanentemente sombreadas nos polos lunares podem guardar gelo de água, mas recebem pouca luz solar.
Esses locais interessam a missões de longa duração, pois o polo sul lunar entrou no foco do programa Artemis, ligado à exploração humana da Lua.
A NASA financia tecnologias de reatores nucleares para apoiar esse tipo de presença. O BOHR não gera energia para uma base lunar. No entanto, a City Labs vê a missão como primeiro passo para sistemas maiores.
Segurança e uso militar também pesam
A empresa afirma que sistemas baseados em trítio emitem baixos níveis de radiação. A tecnologia teria sido projetada para manuseio, transporte e integração em ambientes comerciais de lançamento.
O desenvolvimento do BOHR recebeu financiamento por contrato do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A missão também obteve aprovação nuclear da Administração Federal de Aviação.
Se o teste avançar como previsto, a City Labs espera abrir caminho para satélites e sondas com energia nuclear compacta. O impacto pode aparecer primeiro em defesa, ciência e missões privadas.
Sobre o Autor
0 Comentários