Colisões no espaço podem estar mais próximas do que parecem
O Relógio CRASH caiu de 164 dias para 2,5 dias desde 2018, indicando aumento rápido no risco orbital sem manobras.

Um novo indicador chamado Relógio CRASH mostra como a órbita baixa da Terra ficou mais arriscada.
O cálculo estima quanto tempo levaria para dois satélites se aproximarem de uma colisão caso todos perdessem manobra e controle de orientação. Em 2018, o relógio marcava 164 dias. Em maio de 2026, caiu para 2,5 dias.
O alerta cresce com megaconstelações, lixo espacial e fragmentos pequenos demais para rastreamento.
Um disco de metal pode virar uma ameaça orbital
Imagine um fragmento do tamanho de um disco de hóquei atingindo um satélite Starlink a 10 quilômetros por segundo. A energia cinética equivaleria a 2 quilogramas de TNT.
O satélite atingido poderia lançar dezenas de novos fragmentos em uma nuvem crescente. Outros satélites cruzariam essa região em minutos. Alguns precisariam desviar para evitar outra colisão.
Esse tipo de cenário preocupa porque empresas continuam lançando megaconstelações em órbita baixa. Cada novo satélite exige coordenação, rastreamento e capacidade de desvio.
O Relógio CRASH chegou ao valor a 2,5 dias em maio. Isso não significa uma colisão marcada para esse prazo. Significa que a margem de segurança depende cada vez mais de manobras e sistemas ativos.
Lixo espacial também nasce de explosões
De acordo com o Phys, satélites se fragmentam por vários motivos. Alguns explodem internamente, como aconteceu com o Starlink 34343 em março de 2026.
Outros colidem com detritos ou meteoroides. Também existem fragmentações intencionais, como no teste russo de arma antissatélite em 2021.
Após uma colisão, radares terrestres coletam dados e enviam alertas a empresas e governos. Mesmo assim, catalogar metade dos fragmentos pode levar cerca de 100 dias.
Esse atraso cria incerteza operacional. Enquanto a nuvem de detritos cresce e se espalha, satélites próximos precisam calcular riscos com informação incompleta.
A órbita baixa já tem objetos demais
Hoje, mais de 10 mil satélites Starlink orbitam a Terra. Outros 5 mil satélites também ocupam a região acima de nossas cabeças.
Há dezenas de milhares de grandes fragmentos com órbitas bem medidas. Satélites com propulsão costumam desviar desses objetos.
O problema maior está em mais de 1 milhão de fragmentos potencialmente letais pequenos demais para rastreamento.
Desvios já acontecem a cada dois minutos
A última colisão entre satélites aconteceu em 2009. O Iridium 33 atingiu o Cosmos 2251, já inativo, a 770 quilômetros de altitude.
Hoje há quase 20 vezes mais satélites em órbita. A ausência de novas colisões diretas depende de projeto orbital, manobras, prevenção e alguma sorte.
Na megaconstelação Starlink, um satélite faz uma manobra de desvio aproximadamente a cada dois minutos. Em 2025, isso somou cerca de 300 mil manobras.
A regra atual aciona desvios quando a probabilidade calculada de colisão supera 1 em 30 milhões. É uma margem conservadora, mas a taxa de manobras cresce com novos lançamentos.
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