Novo rover copia bicho para “nadar” na areia marciana
Pesquisadores criaram rodas que imitam o movimento do lagarto-peixe-da-areia e melhoram a locomoção de rovers em terrenos arenosos.

Pesquisadores da Universidade de Würzburg, na Alemanha, desenvolveram um rover inspirado no lagarto-peixe-da-areia, animal do Saara que “nada” sob a areia. A ideia pode ajudar futuros robôs em Marte a atravessar terrenos fofos, inclinados e irregulares com mais estabilidade.
Um lagarto virou pista para explorar Marte
O ponto de partida veio da natureza. O lagarto Scincus scincus vive no Saara e consegue mergulhar na areia para caçar ou fugir de predadores.
Ele não apenas cava. O animal movimenta o corpo de forma ondulada e atravessa os grãos como se cruzasse um fluido espesso. Ou seja, a areia vira quase uma piscina seca.
Esse tipo de locomoção chamou a atenção de pesquisadores liderados por Marco Schmidt, professor de sistemas embarcados e sensores para observação da Terra. A equipe transformou esse princípio biológico em uma solução técnica para rovers marcianos.

Rodas que não apenas rolam
Rovers em Marte precisam lidar com areia, cascalho, declives e terrenos pouco previsíveis. Rodas convencionais funcionam bem em certas condições, mas podem escorregar, afundar ou travar em solo macio.
Amenosis Lopez, pesquisador da equipe de Schmidt, afirma que desenhos tradicionais de rodas costumam priorizar baixa velocidade. Esse padrão, porém, aumenta o risco de perda de tração em superfícies fofas.
A nova proposta muda a lógica. As rodas não apenas rolam sobre a areia. Elas imitam a interação do lagarto com o solo e geram forças para frente e para os lados.
Nos testes, o rover deixou rastros senoidais na areia. Esses caminhos ondulados indicam que o mecanismo de “nado” funcionou como esperado. Assista:
Testes mostraram estabilidade, mas também limites
De acordo com o Phys, a equipe testou o rover em areia e em campo aberto, com apoio do Universidade de Bremen e do Centro Alemão de Pesquisa em Inteligência Artificial, em Bremen.
Os resultados mostraram que o veículo consegue se mover de forma estável sobre a areia. Ainda assim, os primeiros testes revelaram um problema prático.
As rodas iniciais eram mais pesadas e estreitas que rodas pneumáticas comparáveis. Isso aumentou a pressão sobre o solo e fez o rover afundar mais.
O afundamento também se combinou com escorregamento. Essa dupla reduziu a capacidade de controle, como um carro tentando sair de uma praia com pneus errados.
O próximo passo está no controle inteligente
Os pesquisadores ajustaram o projeto. Eles aumentaram a largura das rodas e reduziram a massa. Com isso, diminuíram a pressão sobre o terreno e reduziram o escorregamento.
A estabilidade e o controle melhoraram. A equipe também prevê novos refinamentos na superfície das rodas, principalmente para terrenos mistos.
O projeto integra a iniciativa VaMEx, do Centro Aeroespacial Alemão. Agora, além do hardware, o grupo quer avançar em software.
A meta envolve estratégias de controle que levem em conta escorregamento, afundamento e interação entre roda e terreno. Assim, futuros rovers poderiam reagir melhor a ambientes granulares, como areia marciana.
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