Empresa quer usar Apophis para testar defesa da Terra
Startup propõe missão comercial para estudar o asteroide Apophis antes e depois de sua aproximação em 2029.

O asteroide Apophis vai passar perto da Terra em 13 de abril de 2029 e já mobiliza planos internacionais de observação. A rocha espacial não deve atingir o planeta, mas chegará mais perto que satélites geoestacionários de comunicação. Para uma startup nos EUA, esse encontro pode virar um ensaio real de defesa planetária.
Um visitante de 450 metros no radar
Medições por radar indicam que Apophis tem cerca de 450 metros de largura e 170 metros de altura. A aproximação ocorrerá em uma sexta-feira 13 e poderá aparecer a olho nu no céu.
Astrônomos já descartaram impacto em 2029. Mesmo assim, a passagem chama atenção porque oferece uma chance rara de estudar um grande asteroide próximo da Terra.
Ou seja, Apophis funciona como um visitante incômodo, mas útil. Ele não ameaça bater agora, mas ajuda cientistas a testar como reagir a uma ameaça futura.

A missão comercial Apophis EX
A startup Exploration Labs (ou ExLabs), propôs a missão Apophis EX. A empresa chama o projeto de primeira missão comercial de carona compartilhada para o espaço profundo.
De acordo com o Space.com, a proposta surgiu no 41º Simpósio Espacial, realizado entre 13 e 16 de abril nos Estados Unidos. A missão pretende encontrar Apophis antes e depois da aproximação com a Terra em 2029.
O objetivo inclui coletar dados para defesa planetária, prospecção de recursos e futuras missões no espaço profundo. Hoje, esse tipo de viagem exige orçamentos bilionários e planejamento de uma década.
A ExLabs quer mudar essa lógica. A empresa defende missões repetíveis, comerciais e abertas a ciência, exploração e negócios.
Defesa planetária ainda recebe pouco
James Orsulak, cofundador da ExLabs e presidente do Confiança de Defesa Planetária, uma iniciativa privada da empresa, afirma que a missão marca uma nova era. Para ele, a defesa planetária precisa sair de um nicho técnico e virar prioridade global.
“O orçamento de defesa planetária da NASA representa menos de 1% da agência espacial. Isso não basta para fazer nada”, disse Orsulak.
Ele também quer transformar a passagem de Apophis em um evento público. A ideia envolve, por exemplo, a empresa canadense IMAX, de filmes para cinema em alta resolução, e outras empresas para contar a história ao vivo, em horário nobre na TV.
Como desviar um asteroide perigoso?
Especialistas discutem várias técnicas para mudar a rota de asteroides. A lista inclui tratores gravitacionais, feixes de íons, impacto cinético e detonações nucleares.
David Bearden, do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, afirmou que cientistas precisam reduzir riscos e entender quando cada técnica funciona.
Edward Lu, ex-astronauta da NASA e líder do Instituto Asteroide, nos EUA, reforçou que não existe uma única solução perfeita. A defesa da Terra exige etapas, testes e capacidade industrial.
Para Lu, o fator decisivo pode estar na rapidez. “Estamos chegando ao ponto em que conseguimos construir uma espaçonave em um ano. Isso é bastante viável”, afirmou.
Apophis não deve atingir a Terra em 2029. Mas sua passagem pode mostrar se a humanidade consegue agir antes que uma ameaça real apareça.
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