Explosão de estrela aparece 5 vezes no céu

Fenômeno raríssimo usa lentes gravitacionais para oferecer uma nova forma de medir a taxa de expansão do cosmos.

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Ilustração do sistema SN Winny
Ilustração do sistema SN Winny

Uma supernova rara, brilhante e vista cinco vezes no céu pode ajudar cientistas a medir com mais precisão a expansão do Universo. Batizada de SN Winny, ela fica a cerca de 10 bilhões de anos-luz e entrou no radar de equipes da TUM (Universidade Técnica de Munique), LMU (Universidade Ludwig Maximilian de Munique) e dos institutos Max Planck, na Alemanha.

O achado, disponível em dois artigos no ArXiv (aqui e aqui), chama atenção porque oferece uma nova forma de calcular a chamada constante de Hubble, um dos números mais importantes da cosmologia.

Um evento raro em escala extrema

SN Winny é uma supernova superluminosa. Ou seja, ela brilha muito mais do que explosões estelares comuns. Só isso já faria dela um evento notável.

Mas há um detalhe ainda mais impressionante. Em vez de aparecer como um único ponto de luz, ela surge cinco vezes no céu. Esse efeito acontece por causa da lente gravitacional.

A luz da supernova cruza o campo de duas galáxias em primeiro plano. A gravidade dessas galáxias entorta o caminho da luz e cria várias imagens do mesmo objeto. Como cada rota tem um comprimento diferente, a luz chega à Terra em momentos diferentes.

Por que isso importa

Imagem composta da SN Winny. As galáxias primárias que atuam como lentes são rotuladas como G1 e G2. As múltiplas imagens da supernova são marcadas de A a D,
enquanto E mostra a localização da possível quinta imagem. Imagem: Aryan et al.
Imagem composta da SN Winny. As galáxias primárias que atuam como lentes são rotuladas como G1 e G2. As múltiplas imagens da supernova são marcadas de A a D, enquanto E mostra a localização da possível quinta imagem. Imagem: Aryan et al.

Esses pequenos atrasos funcionam como um relógio cósmico. Ao medir a diferença de tempo entre cada imagem, os cientistas conseguem calcular a taxa atual de expansão do Universo.

Ao ScienceDaily, Sherry Suyu, professora associada de cosmologia observacional da TUM, destacou a raridade do caso. “É um evento extremamente raro que pode ter papel-chave para melhorar nossa compreensão do cosmos”, afirmou.

Ela também explicou que a chance de encontrar uma supernova superluminosa alinhada com uma lente gravitacional adequada fica abaixo de uma em um milhão. A equipe passou seis anos procurando esse tipo de alvo. Em agosto de 2025, SN Winny apareceu exatamente onde esperavam.

Um sistema mais simples e mais promissor

Para estudar o sistema, pesquisadores usaram o Grande Telescópio Binocular, localizado nos Estados Unidos. O observatório tem dois espelhos de 8,4 metros e um sistema de óptica adaptativa, que reduz a distorção causada pela atmosfera.

A imagem de alta resolução mostrou duas galáxias no centro e cinco pontos azulados ao redor. Essa configuração é incomum, já que sistemas parecidos costumam gerar duas ou quatro imagens.

Allan Schweinfurth afirmou que muitos casos anteriores envolviam aglomerados de galáxias, que têm distribuição de massa difícil de modelar. Já SN Winny envolve apenas duas galáxias, com distribuição de luz e massa mais suave e regular.

A disputa sobre a expansão do Universo

Hoje, astrônomos usam dois métodos principais para medir a constante de Hubble. Um observa galáxias próximas e monta a medida em etapas. O outro analisa a radiação cósmica de fundo, vinda do Universo primitivo.

O problema é que os dois resultados não batem. Essa divergência ficou conhecida como tensão de Hubble.

SN Winny pode abrir um terceiro caminho. Stefan Taubenberger resumiu a vantagem: “Ao contrário da escada de distâncias cósmicas, este é um método de uma etapa, com menos fontes de incerteza sistemática e fontes diferentes”.

Agora, telescópios em solo e no espaço seguem observando a supernova. Os novos dados podem ajudar a esclarecer, afinal, quão rápido o Universo realmente cresce.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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