Sol pode atrapalhar nova viagem tripulada da NASA à Lua

NASA monitora o Sol para proteger a tripulação da Artemis 2 contra radiação em tempestades solares na viagem à Lua.

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O Sol nascente ilumina o céu no dia 24 de março, enquanto o foguete da Artemis 2 aparece na rampa de lançamento.
O Sol nascente ilumina o céu no dia 24 de março, enquanto o foguete da Artemis 2 aparece na rampa de lançamento. Imagem: NASA

A próxima viagem tripulada da NASA à Lua terá um risco que não depende de falha mecânica nem de erro humano. A preocupação vem do Sol. Para evitar que uma tempestade solar exponha astronautas da Artemis 2 a níveis perigosos de radiação, a NASA trabalha com a NOAA (sigla em inglês para “Administração Nacional Oceânica e Atmosférica” dos EUA) em um sistema de monitoramento e alerta que poderá orientar a tripulação a se proteger a tempo.

A ameaça importa porque, fora da órbita baixa da Terra, os astronautas perdem parte da proteção natural do planeta. Na ISS (Estação Espacial Internacional), por exemplo, a magnetosfera terrestre ainda funciona como um escudo parcial. Numa viagem à Lua, essa camada protetora fica para trás.

Por que a Lua expõe mais os astronautas

O chamado “clima espacial” nasce de erupções solares, como flares de classe X e ejeções de massa coronal. Esses eventos lançam partículas altamente energéticas pelo Sistema Solar. Quando atingem uma nave ou a superfície lunar, podem elevar a dose de radiação recebida pela tripulação.

Esse tipo de exposição preocupa por dois motivos. Ao longo do tempo, pode aumentar o risco de câncer e de outros problemas de saúde. Em uma missão, também pode comprometer cognição e desempenho. Por isso, a NASA quer reduzir ao máximo esse perigo já na Artemis 2.

Como a Artemis tentará escapar da radiação

A boa notícia é que a radiação não chega toda de uma vez. As partículas lançadas pelo Sol levam tempo para viajar até a vizinhança da Terra. Isso abre uma janela valiosa para observação, análise e resposta.

Dentro da cápsula Orion, sensores vão medir doses e taxas de radiação em diferentes áreas da nave. Os astronautas também usarão dosímetros, aparelhos que registram a exposição individual durante o trabalho. Se o sistema detectar níveis altos, alarmes a bordo chamarão a atenção da tripulação.

Caso a situação fique séria, os astronautas deverão buscar abrigo dentro da própria nave. O procedimento envolve reorganizar o interior da cápsula. Eles retiram equipamentos e materiais guardados e os posicionam para criar uma barreira extra entre o corpo e as partículas carregadas.

Um “banho” de partículas

Em vez de um jato instantâneo, a radiação pode agir como uma banheira enchendo aos poucos. Ou seja, a nave passa a receber partículas por todos os lados, e a proteção precisa ganhar massa nos pontos mais vulneráveis.

A Artemis II testará esse procedimento durante a missão. A meta é verificar como a tripulação consegue reforçar as áreas com maior exposição sem perder a capacidade de seguir operando a nave.

Rede de vigilância do Sol

Para antecipar surtos solares, NASA e NOAA vão usar dados de várias missões. Entre elas estão a Sonda de Mapeamento e Aceleração Interestelar, o Observatório de Dinâmica Solar, o Observatório Solar e Heliosférico e o satélite GOES-19. Até o rover Perseverance, em Marte, poderá observar atividade do lado do Sol que não fica visível da Terra durante a missão.

Além das tempestades solares, a tripulação ainda enfrentará os cinturões de radiação de Van Allen e os raios cósmicos. A exposição combinada dessas fontes deve equivaler a cerca de um mês na Estação Espacial Internacional, ou cerca de 5% do limite de carreira de um astronauta. Qualquer evento solar forte se somará a essa base.

Porém, a estratégia da NASA aposta em informação rápida, medição em tempo real e ação prática dentro da Orion. Numa missão à Lua, isso pode fazer toda a diferença.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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