Hubble revela o antes e depois da Nebulosa do Caranguejo
Telescópio espacial revisita a Nebulosa do Caranguejo após 25 anos e revela em detalhe a expansão contínua do remanescente de supernova.

A Nebulosa do Caranguejo ganhou um novo retrato. Vinte e cinco anos após sua primeira observação completa do objeto, o telescópio espacial Hubble voltou a registrar esse remanescente de supernova e revelou, com alto nível de detalhe, como a estrutura continua se expandindo quase mil anos depois da explosão original.
A nova imagem mostra algo que muita gente não imagina ao olhar para o céu: ele não está parado. No caso da Nebulosa do Caranguejo, o Hubble conseguiu registrar o deslocamento real de seus filamentos ao longo de 25 anos, com velocidade de 5,5 milhões de km por hora. Isso dá aos cientistas uma visão direta da evolução de uma explosão estelar histórica.
Um objeto observado desde 1054
A história da Nebulosa do Caranguejo começa muito antes dos telescópios modernos. Em 1054, astrônomos registraram no céu uma nova estrela extremamente brilhante, visível até durante o dia por semanas.
Hoje se sabe que aquela luz marcou a supernova chamada SN 1054. A Nebulosa do Caranguejo é o que restou desse evento e fica a 6.500 anos-luz da Terra, na constelação de Touro.
O que o Hubble viu agora
Na nova observação, o Hubble captou a rede intrincada de filamentos da nebulosa e o movimento para fora dessas estruturas desde 1999. Para tornar a comparação mais precisa, a imagem antiga foi reprocessada.
O resultado oferece uma visão muito detalhada da evolução do objeto. Segundo William Blair, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, a longa vida operacional do Hubble permite mostrar que até um alvo tão conhecido continua em movimento e ainda se expande após quase um milênio. Veja a comparação:

Por que a nebulosa se comporta assim
Nem todo remanescente de supernova evolui do mesmo modo. No caso da Nebulosa do Caranguejo, a expansão não ocorre principalmente por ondas de choque da explosão inicial.
O motor aqui é um pulsar no centro do objeto. Esse pulsar, uma estrela de nêutrons que gira rapidamente, alimenta a nebulosa. A interação entre seu campo magnético e o material ao redor produz radiação síncrotron, que sustenta esse tipo particular de expansão.
Um detalhe curioso é que os filamentos nas bordas parecem ter se movido mais do que os do centro. Ao mesmo tempo, eles não parecem ter se alongado com o tempo. Em vez disso, apenas avançaram para fora.
Cores, sombras e profundidade
As variações de cor nas imagens do Hubble não servem só para embelezar a cena. Elas indicam uma combinação de mudanças de temperatura local, densidade do gás e composição química.
As novas observações também ajudam a entender melhor a estrutura tridimensional da nebulosa, algo difícil de reconstruir numa imagem bidimensional. Algumas sombras de filamentos aparecem projetadas sobre a névoa de radiação síncrotron no interior do objeto.
Além disso, alguns filamentos mais brilhantes não mostram sombra alguma. Isso indica que devem estar no lado mais distante da nebulosa.
O que vem depois
O valor científico desse novo retrato ainda deve crescer. Os dados do Hubble poderão ser combinados com observações recentes feitas em outros comprimentos de onda.
O telescópio espacial James Webb, por exemplo, divulgou observações em luz infravermelha da Nebulosa do Caranguejo em 2024. A comparação entre esses registros deve ajudar os cientistas a montar um quadro mais completo da evolução contínua dessa supernova histórica.
Quase mil anos após chamar atenção no céu, a Nebulosa do Caranguejo continua contando sua história. Agora, com mais detalhes do que nunca.
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