A contagem da Artemis 2 travou em 29s; e isso é uma boa notícia
Ensaio de abastecimento do maior foguete operacional do mundo chegou perto do fim do cronômetro sem vazamentos

A NASA concluiu nesta quinta-feira (19) um grande teste de abastecimento do Space Launch System, o foguete da missão Artemis 2, colocando mais de 750 mil galões de propelentes supergelados nos tanques sem sinais de vazamentos significativos de hidrogênio. O ensaio simulou uma contagem regressiva e incluiu exercícios para pausar, segurar e reiniciar o cronômetro caso surjam imprevistos. O resultado preliminar é visto como um sinal positivo para lançar quatro astronautas em um voo próximo da Lua no próximo dia 6 de março.
O que aconteceu no teste
O procedimento foi um “ensaio geral” de lançamento com o foguete SLS, no qual equipes da NASA e de contratadas executaram uma sequência longa e coreografada para preparar um lançamento simulado.
A contagem prática começou na terça-feira à noite e avançou até a noite de quinta, quando os controladores conduziram testes adicionais para garantir que a equipe consegue reciclar a contagem, manter o cronômetro em espera e reiniciar o processo conforme necessário.
Segundo a NASA, o ensaio transcorreu bem nas fases iniciais. Por isso, às 11h35 (horário de Brasília) da quinta-feira, a diretora de lançamento Charlie Blackwell Thompson deu o “go” para iniciar o abastecimento, um processo de várias horas.
O ensaio de abastecimento pode ser revisto abaixo:
Como foi feito
O teste envolveu bombear grandes volumes de oxigênio líquido e hidrogênio líquido no foguete. Apenas no primeiro estágio do SLS, foram colocados 196 mil galões de oxigênio líquido e 537 mil galões de hidrogênio líquido. O segundo estágio recebeu mais 22,5 mil galões combinados de oxigênio e hidrogênio.
Ao longo do restante do ensaio, foi necessário adicionar propelentes para compensar a perda normal por aquecimento e evaporação dentro dos tanques, que acontece mesmo em sistemas criogênicos.
O que foi encontrado
A diferença crucial em relação ao primeiro teste de abastecimento realizado no início do mês foi a ausência de vazamentos relevantes de hidrogênio.
Na tentativa anterior, vazamentos forçaram o time a interromper a contagem. Desta vez, sensores não detectaram vazamentos significativos e os tanques foram completados sem incidentes.
Outro marco ocorreu nos 10 minutos finais, quando os tanques deveriam ser pressurizados como seriam em um lançamento real. Mais uma vez, nenhum problema foi registrado.
Por que parar perto do fim pode ser uma boa notícia

Em um ensaio desse tipo, conseguir interromper o cronômetro faltando 29 segundos para uma decolagem real (conforme o planejamento), demonstra que o teste foi um sucesso, reduzindo o risco operacional no dia do lançamento oficial, já que a resposta a imprevistos deixa de ser improviso e vira procedimento ensaiado.
No ensaio anterior, a NASA não conseguiu chegar tão longe na contagem regressiva. Isso porque sensores em uma cavidade entre placas de umbilicais, onde as linhas de combustível se conectam ao 1º estágio, registraram acúmulo de hidrogênio quando as taxas de fluxo aumentaram depois de uma fase inicial de enchimento lento.
Após tentativas de contornar o problema variando fluxos e temperaturas, a equipe conseguiu abastecer o 1º e o 2º estágio e repor propelente quando necessário. Mas, mais tarde, durante a pressurização do 1º estágio, o vazamento no umbilical aumentou de forma abrupta, chegando a concentrações que se aproximaram de 16% dentro de um fluxo de nitrogênio inerte, ponto em que o risco de incêndio vira uma ameaça concreta. O ensaio foi encerrado antes de a equipe executar as opções planejadas de reciclagem da contagem.
Depois de analisar os dados, engenheiros decidiram substituir duas vedações que seriam responsáveis pelo vazamento. Na quinta-feira anterior a este ensaio, houve um teste menor em que uma pequena quantidade de hidrogênio líquido foi bombeada no estágio central para confirmar um ambiente sem vazamentos.
De acordo com a agência um filtro do sistema de solo aparentemente congelou e reduziu as taxas de fluxo, mas a NASA afirmou que o teste gerou dados suficientes para planejar o novo ensaio de abastecimento. Porém, ao que indica, as vedações funcionaram como esperado no abastecimento desta semana.
Quem pode voar e quando
Embora a análise detalhada ainda esteja em andamento, os resultados preliminares foram positivos para a possibilidade de a missão Artemis 2 ser liberada para lançamento em cerca de duas semanas.
A tripulação é formada pelos astronautas da NASA, Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.
O que a missão representa
A Artemis 2 será o 1º voo tripulado rumo à Lua desde o último pouso da era Apollo em 1972 e levará a tripulação mais longe da Terra do que qualquer astronauta na história. Também será a 1ª vez que astronautas voam no SLS.
Além disso, a Artemis 2 é um passo importante para a missão Artemis 3, que tem como objetivo pousar astronautas perto do polo sul lunar em 2028.
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