Nova lista aponta onde vale mais procurar ETs

Estudo seleciona 45 exoplanetas rochosos na zona habitável como alvos prioritários na busca por vida fora da Terra.

Planeta alienígena com luzes brilhantes.

Entre mais de 6.000 exoplanetas já descobertos, astrônomos reduziram a lista a um grupo muito mais promissor para a busca por vida fora da Terra. Um novo estudo identificou 45 mundos rochosos localizados na chamada zona habitável, a região ao redor de uma estrela em que as temperaturas podem permitir água líquida na superfície.

A pesquisa também separou 24 desses planetas em uma zona habitável mais restrita, baseada em uma estimativa mais conservadora sobre quanto calor um planeta consegue suportar antes de perder condições favoráveis à habitabilidade.

Na prática, o trabalho funciona como um mapa de prioridades para telescópios e futuras missões que tentam responder uma das perguntas mais antigas da ciência: estamos sozinhos no universo?

Onde a busca por vida faz mais sentido

A lógica do estudo, publicada no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, é simples, mas poderosa. Se os cientistas não podem observar tudo com o mesmo detalhe, então é preciso decidir quais alvos merecem atenção primeiro.

Para isso, a equipe usou novos dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, e do Arquivo de exoplanetas da NASA para identificar planetas na zona habitável. Essa é a faixa em torno da estrela que não fica tão perto a ponto de ser quente demais, nem tão longe a ponto de ser fria demais. É uma espécie de faixa de temperatura potencialmente amigável à presença de água líquida, um ingrediente considerado central para a vida como a conhecemos.

Esse critério não garante que um planeta seja habitável. Ele apenas o coloca na região certa para que essa possibilidade exista. Ainda assim, já é um filtro valioso em meio a milhares de mundos.

Os planetas que mais chamam atenção

Diagrama descreve as fronteiras de zona habitáveis através do tipo estrela com exoplanetas rochosos. Os limites da zona habitável mudam com base na cor das estrelas, uma vez que diferentes comprimentos de onda de luz aquecerão a atmosfera de um planeta de forma diferente.
Diagrama descreve as fronteiras de zona habitáveis através do tipo estrela com exoplanetas rochosos. Os limites da zona habitável mudam com base na cor das estrelas, uma vez que diferentes comprimentos de onda de luz aquecerão a atmosfera de um planeta de forma diferente. Crédito: Gillis Lowry / Pablo Carlos Budassi

Entre os alvos destacados, alguns nomes já são familiares para quem acompanha a astronomia de exoplanetas. Estão na lista Proxima Centauri b, TRAPPIST-1 f e Kepler-186 f. Outros são menos conhecidos do público amplo, como TOI-715 b.

Segundo os autores, os mundos mais interessantes entre os selecionados são TRAPPIST-1 d, e, f e g, que ficam a 40 anos luz da Terra, além de LHS 1140 b, a 48 anos-luz. Em todos esses casos, a possibilidade de água líquida depende em parte da capacidade de o planeta manter uma atmosfera.

Esse detalhe é fundamental. Isso porque um planeta pode estar na distância certa da estrela e, ainda assim, não ser habitável se tiver perdido sua atmosfera. Sem essa camada gasosa, as condições de temperatura e proteção contra radiação podem mudar completamente.

Os que recebem luz mais parecida com a da Terra

O estudo também destacou os mundos que recebem de suas estrelas uma quantidade de energia mais parecida com a que a Terra recebe do Sol hoje. Essa comparação é importante porque fornece um parâmetro concreto, baseado no único planeta que sabemos com certeza ser habitável.

Nessa categoria aparecem os planetas em trânsito TRAPPIST-1 e, TOI-715 b, Kepler-1652 b, Kepler-442 b e Kepler-1544 b. Também entram Proxima Centauri b, GJ-1061 d, GJ-1002 b e Wolf-1069 b, identificados por outro método, baseado no balanço que provocam em suas estrelas.

É uma seleção que interessa porque aproxima a busca por vida de condições que os astrônomos consideram mais familiares. Em vez de procurar em ambientes totalmente extremos, o foco recai sobre mundos que recebem uma “dose” de energia estelar mais próxima da terrestre.

Os limites da habitabilidade também importam

O novo catálogo não se concentra apenas nos melhores candidatos a mundos semelhantes à Terra. Ele também mira planetas localizados nas bordas da zona habitável, justamente onde as condições podem estar quase deixando de ser favoráveis à vida.

No limite interno, onde o calor pode ser excessivo, foram apontados K2-239 d, TOI-700 e, K2-3 d, Wolf-1061 c e GJ-1061 c. Já no limite externo, onde o frio se torna extremo, entram TRAPPIST-1 g, Kepler-441 b e GJ-102.

Observar esses casos é importante porque ajuda a testar onde, de fato, a habitabilidade termina. É como tentar descobrir não apenas quais casas de uma cidade são habitáveis, mas também em que rua começam as condições que tornam a vida inviável.

Órbitas excêntricas podem mudar a história

Outro ponto importante da pesquisa envolve planetas com órbitas elípticas incomuns. Em vez de girarem em trajetórias quase circulares, esses mundos passam por variações maiores de distância em relação à estrela, recebendo mais calor em alguns momentos e menos em outros.

Isso abre uma questão intrigante: um planeta precisa permanecer o tempo todo na zona habitável para continuar habitável, ou pode entrar e sair dessa faixa e ainda manter água líquida e condições adequadas?

Esse tipo de pergunta mostra que a busca por vida não depende apenas de distância estelar. Também envolve ritmo orbital, atmosfera, aquecimento e estabilidade ao longo do tempo.

Uma lista feita para os telescópios do presente e do futuro

Os autores destacam que o catálogo foi pensado para orientar observações com o James Webb, com o futuro telescópio Nancy Grace Roman, previsto para 2027, com o Telescópio Extremamente Grande, que deve ver sua primeira luz em 2029, com o Observatório de Mundos Habitáveis, esperado para a década de 2040, e com o projeto LIFE.

Além de selecionar os mundos, a equipe também indicou quais deles são melhores para diferentes técnicas de observação. Isso aumenta a eficiência da busca por atmosferas e possíveis bioassinaturas, isto é, indícios químicos que podem sugerir atividade biológica.

Entre os 10 planetas que recebem radiação mais parecida com a da Terra, dois já aparecem como alvos acessíveis para telescópios atuais ou próximos: TRAPPIST-1 e e TOI-715 b.

Um primeiro passo concreto em uma pergunta gigantesca

Ninguém sabe ainda o que torna um planeta mais propenso a abrigar vida. Mas escolher onde observar primeiro já é um avanço concreto.

Ou seja, antes de encontrar vida fora da Terra, a astronomia precisa afinar sua mira. E essa nova lista faz justamente isso: transforma milhares de mundos possíveis em algumas dezenas de alvos que podem concentrar as melhores pistas.

Se a vida existe em outro lugar, é provável que a busca comece por planetas como esses.


Quer notícias do espaço no seu WhatsApp?

Entre no canal do Futuro Astrônomo e receba em primeira mão as matérias, as melhores imagens, e alertas de eventos no céu. Conteúdo curto, link direto, sem enrolação. Tudo 100% grátis, sem notificações excessivas. Siga aqui!

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.