Cometa pode ficar visível a olho nu no Brasil

C/2026 A1 (MAPS) pode roubar a cena em abril e até surgir à luz do dia

Concepção artística de um cometa rasante passando muito próximo do Sol
Concepção artística de um cometa rasante passando muito próximo do Sol

O cometa C/2026 A1 (MAPS) foi descoberto em janeiro e já aumentou muito de brilho, chamando atenção por sua aproximação extrema do Sol em abril. Isso importa porque ele pertence à família dos cometas rasantes de Kreutz, grupo associado a alguns dos cometas mais brilhantes da história. Se sobreviver à passagem solar, pode reaparecer no céu como um objeto visível a olho nu por um curto período, com melhores chances no Hemisfério Sul, incluindo no Brasil.

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Mas há uma condição decisiva: ele precisa sobreviver.

O cometa passará por um encontro muito perto do Sol em 4 de abril de 2026, quando se aproximará tanto da estrela que poderá ser consumido pelo calor ou despedaçado pela força gravitacional.

Mesmo assim, o cometa reúne características que o colocam entre os alvos mais interessantes do céu de abril.

Um visitante descoberto há pouco tempo

O cometa C/2026 A1 (MAPS) fotografado em 8 de março.
O cometa C/2026 A1 (MAPS) fotografado em 8 de março. Imagem: Terry Lovejoy

O C/2026 A1 (MAPS) foi descoberto fotograficamente em 13 de janeiro de 2026 no observatório AMACS1, em San Pedro de Atacama, no Chile, por quatro astrônomos franceses: Alain Maury, Georges Attard, Daniel Parrott e Florian Signoret.

O grupo mantém um programa dedicado à busca de asteroides próximos da Terra chamado MAPS, sigla formada a partir dos sobrenomes dos integrantes.

No momento da descoberta, o cometa estava a 308 milhões de quilômetros do Sol e brilhava na magnitude 18, um nível extremamente fraco, muito além do alcance da maior parte dos telescópios de amadores. Desde então, porém, o objeto mudou bastante.

Até agora, ele já aumentou seu brilho em cerca de 600 vezes. O Star Walk estima que, nesta quarta-feira (11), o brilho fique em torno de magnitude 11,0, podendo ser observado na constelação de Baleia com um pequeno telescópio, algo na faixa de 80 a 150 mm.

O que torna esse cometa tão especial

O principal motivo para o interesse em torno do C/2026 A1 é que ele foi identificado como um cometa rasante, grupo famoso por objetos que passam extremamente perto da nossa estrela.

Essa categoria carrega um histórico respeitável. Entre os exemplos citados estão os Grandes Cometas de 1843 e 1882, além do cometa Ikeya-Seki, de 1965, e do cometa Lovejoy, que chamou atenção em 2011.

Esses cometas são conhecidos por dois motivos opostos e igualmente dramáticos: podem se tornar incrivelmente brilhantes em pouco tempo, mas também podem ser destruídos justamente por chegarem perto demais do Sol.

É como uma mariposa que voa em direção à chama: a aproximação pode torná-la mais visível do que nunca, mas também pode ser fatal.

O momento decisivo será em 4 de abril

Órbita do cometa C/2026 A1 (MAPS).
Órbita do cometa C/2026 A1 (MAPS). Imagem: Vito Tecnologia.

O periélio, o ponto de maior proximidade do cometa com o Sol, está previsto para a tarde de 4 de abril.

Nessa passagem, o cometa chegará muito perto da estrela, a uma distância de 159.300 quilômetros acima da superfície do Sol. Trata-se de uma aproximação extrema em termos astronômicos.

A consequência é clara: o cometa atravessará uma região de calor e estresse intensos. Isso porque ele passará pela coroa solar, onde as temperaturas podem chegar a cerca de 1,1 milhão de graus Celsius. Nesse ambiente, há a possibilidade de o núcleo ser totalmente consumido ou despedaçado pelas forças de maré gravitacionais do Sol.

Para escapar dessa destruição, ele precisará atravessar a região em altíssima velocidade. Perto da máxima aproximação, estima-se que o objeto deve contornar o Sol em uma curva fechada a mais de 1,6 milhão de quilômetros por hora.

O brilho pode disparar, mas previsões variam muito

É aqui que entra a parte mais fascinante e, ao mesmo tempo, mais incerta da história.

As estimativas de brilho para o C/2026 A1 variam bastante. A página Visual Comets in the Future, de Seiichi Yoshida, do Japão, projeta o cometa perto de magnitude -5 no periélio, um brilho comparável ao de Vênus.

Já a página de Astro.vanbuitenen, de Gideon van Buitenen, nos Países Baixos, traz um cenário mais otimista, mencionando brilho previsto em torno de magnitude -16.

No entanto, este tipo de previsão para cometas rasantes muda rapidamente. Isso porque prever exatamente o brilho é como tentar adivinhar o comportamento de um fósforo já aceso em meio a uma ventania: ele pode apagar, manter-se aceso ou de repente brilhar com força por alguns instantes.

Dá para ver a olho nu?

Se o cometa sobreviver à aproximação solar, a janela mais promissora pode vir logo depois do periélio.

De acordo com o Star Walk, entre 6 e 15 de abril, o C/2026 A1 pode reaparecer no céu do entardecer e talvez se torne visível a olho nu, principalmente no Hemisfério Sul. Por outro lado, observadores do Hemisfério Norte podem ter oportunidades mais curtas e difíceis, com o cometa baixo no horizonte durante o crepúsculo.

Se o brilho realmente chegar perto de magnitude -5, algumas pessoas poderiam se sentir tentadas a tentar enxergá-lo muito perto do Sol. Porém, isso é muito perigoso.

Olhar na direção do Sol, mesmo por pouco tempo, pode causar danos sérios e permanentes à retina. Além disso, óculos escuros, telescópios e binóculos não protegem contra esse tipo de lesão e que o risco inclui até cegueira.

A forma mais segura de acompanhar

A maneira mais segura de acompanhar o momento crítico do periélio é pela tela do celular ou computador.

O site Space.com recomenda observar a passagem do cometa usando imagens da sonda SOHO, principalmente pela câmera LASCO C3. O cometa deve entrar no campo dessa câmera entre 2 de abril e 6 de abril.

Durante cerca de quatro horas no periélio, o cometa deve parecer passar por trás do Sol a partir da perspectiva da Terra e, em seguida, contornar a estrela rapidamente.

Onde e quando a observação tende a ser melhor

Trajetória do cometa C/2026 A1 (MAPS) no céu.
Trajetória do cometa C/2026 A1 (MAPS) no céu. Imagem: Vito Tecnologia.

Ao longo de março, o cometa ainda é essencialmente um alvo para quem possui telescópios.

Ele deve cruzar as constelações visíveis no hemisfério sul, começando o mês em Erídano, passando para Baleia e seguindo depois em direção a Peixes à medida que se aproxima do periélio.

Se resistir ao mergulho solar, poderá seguir para Touro em meados de abril e mais tarde em direção a Órion.

A melhor região do planeta para observação tende a ser o Hemisfério Sul (incluso o Brasil), porque a geometria da órbita coloca o cometa mais alto acima do horizonte nas datas-chave. Isso não significa ausência total de chances no hemisfério Norte, mas as janelas lá tendem a ser mais curtas e mais desafiadoras.


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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.