Investigação sobre explosão de foguete coreano no Brasil revela o que aconteceu
Empresa sul-coreana revela por que foguete lançado no Brasil explodiu menos de 1 minuto após a decolagem

A empresa sul-coreana INNOSPACE informou ter identificado a causa da falha que encerrou a missão de seu foguete HANBIT-Nano, lançado em 22 de dezembro de 2025 a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Brasil. Segundo a investigação conduzida em conjunto com o CENIPA, o problema começou cerca de 33 segundos após a decolagem, quando um vazamento de gás atingiu a parte dianteira da câmara de combustão do primeiro estágio e levou à ruptura da estrutura.
O episódio marcou uma tentativa histórica. Era o primeiro lançamento orbital já realizado por uma empresa sul-coreana. Mas a missão durou menos de 1 minuto e terminou com a explosão do veículo ainda no início do voo.
O que a investigação encontrou
A conclusão foi alcançada após análise de dados de voo, registros em vídeo e mais de 300 fragmentos recuperados. Esse conjunto permitiu reconstruir a sequência da falha e localizar sua origem em uma etapa de preparação realizada no Brasil.
De acordo com a empresa, o vazamento foi causado por compressão insuficiente dos componentes de vedação durante a remontagem, em campo, do plugue dianteiro da câmara. Ou seja, uma peça que precisava ficar firmemente vedada não foi comprimida da forma necessária para impedir a fuga de gás.
A atualização divulgada pela INNOSPACE detalha ainda que houve desempenho irregular da vedação após deformação plástica dos componentes durante o processo de remontagem. Esse tipo de deformação acontece quando a peça sofre alteração física e não retorna à forma ideal de funcionamento, comprometendo sua capacidade de selar corretamente.
Reveja o lançamento:
Como uma falha de vedação pode derrubar uma missão
Em foguetes, a vedação não é um detalhe secundário. Ela funciona como o anel de proteção de um sistema que precisa suportar condições extremas de pressão e temperatura. Se essa barreira falha, gases quentes e pressurizados podem escapar para áreas que não foram projetadas para recebê los.
Foi isso que aconteceu no HANBIT-Nano. O vazamento atingiu a parte dianteira do conjunto da câmara de combustão do primeiro estágio. A partir daí, a estrutura se rompeu, comprometendo rapidamente o funcionamento do foguete e levando à perda total da missão.
Um foguete pequeno, mas com ambição comercial

O HANBIT-Nano é um foguete de dois estágios. Ele utiliza uma combinação de oxigênio líquido, conhecido pela sigla LOX, e parafina, um combustível sólido. O estágio superior foi projetado em duas configurações: uma que usa o mesmo combustível LOX-parafina e outra baseada em LOX e metano líquido.
No voo que fracassou em dezembro, o veículo transportava cinco cargas úteis de clientes do Brasil e da Índia, além de três cargas de demonstração tecnológica. O foguete tem 17,3 metros de altura e foi projetado para colocar quase 90 quilogramas em órbita sincronizada com o Sol a partir da base brasileira.
Esse tipo de capacidade o posiciona no mercado de pequenos satélites, um setor em que cresce a demanda por lançamentos mais frequentes, dedicados e flexíveis. É também um mercado em que confiabilidade pesa tanto quanto preço.
Brasil entrou na apuração

A investigação foi conduzida junto com o CENIPA, órgão da Força Aérea Brasileira responsável por apurações de acidentes aeroespaciais. A participação brasileira era esperada, já que o lançamento ocorreu em Alcântara, uma das bases espaciais mais estratégicas do país por causa de sua proximidade com a linha do Equador.
O trabalho conjunto deu à empresa, segundo seu CEO, Soojong Kim, ativos técnicos valiosos para avançar no desenvolvimento de seus veículos lançadores. A formulação sugere que, embora a falha tenha sido um revés, o diagnóstico detalhado agora pode servir de base para reduzir riscos nas próximas tentativas.
O que muda agora
A INNOSPACE afirmou que está reforçando processos de montagem e procedimentos de gestão da qualidade. A empresa também disse que implementa melhorias em componentes e verificações adicionais para evitar que problemas semelhantes voltem a ocorrer.
Esse tipo de resposta é comum após falhas em lançamentos, mas ganha peso ainda maior em startups espaciais, que precisam provar rapidamente que conseguem aprender com erros sem comprometer sua trajetória comercial. No setor de lançadores de pequeno porte, não basta voar. É preciso mostrar repetibilidade e capacidade de recuperação após contratempos.
Nova tentativa já tem janela prevista

Com base nas conclusões técnicas da investigação, a empresa pretende seguir com um novo lançamento, desde que receba autorização da Korea Aerospace Administration, a KASA. A próxima tentativa está planejada para o terceiro trimestre de 2026, novamente no Brasil.
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