Telescópios revelam o asteroide mais estranho já visto

Imagens feitas da Terra mostram três possíveis blocos conectados e uma lua de 1 km orbitando o asteroide Nysa.

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Foto do asteroide (44) Nysa captado pelo Large Binocular Telescope, nos EUA. Imagem: Lowell Observatory
Foto do asteroide (44) Nysa captado pelo Large Binocular Telescope, nos EUA. Imagem: Lowell Observatory

Astrônomos encontraram evidências de que o asteroide (44) Nysa possui três grandes lóbulos conectados e uma pequena lua. Imagens captadas em 15 de fevereiro e 21 de março de 2026 mostram uma estrutura que eles nunca documentaram em outro asteroide.

A descoberta, segundo o Lowell Observatory, pode ajudar os cientistas a reconstruir colisões antigas que moldaram o Sistema Solar. Nysa também pertence a um grupo raro de asteroides ricos em enstatita, mineral ligado às regiões internas do sistema planetário.

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O Asteróide (44) Nysa com a pequena lua indicada por uma seta

Imagens revelam um asteroide dividido em três partes

Nysa tem cerca de 75 quilômetros de diâmetro e está entre os maiores asteroides do tipo E no cinturão principal. Esses corpos apresentam superfícies muito brilhantes e composição semelhante à enstatita.

Observações anteriores já indicavam uma forma alongada ou composta por dois blocos. As novas imagens mostram dois vales extensos que parecem contornar grande parte da superfície.

Os pesquisadores interpretam esses vales como regiões de ligação entre três componentes. Nysa pode ser um “trinário de contato”, formado por três corpos unidos.

Outra hipótese envolve um único objeto muito irregular, com depressões profundas. Novas observações deverão esclarecer a organização interna do asteroide.

“As imagens revelam um objeto muito incomum”, afirmou Kate Minker, autora principal do estudo. Ela afirma que as hipóteses atuais não encontram paralelo claro entre asteroides conhecidos.

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Animações do asteroide (44) Nysa captado pelo Large Binocular Telescope, nos EUA. Imagem: Lowell Observatory
Animações do asteroide (44) Nysa captado pelo Large Binocular Telescope, nos EUA. Imagem: Lowell Observatory

Telescópios terrestres chegaram perto da qualidade de uma sonda

A equipe usou o instrumento SHARK-VIS, do Large Binocular Telescope, nos EUA. Também utilizou o SPHERE/ZIMPOL, que integra o Very Large Telescope, no Chile.

Os astrônomos combinaram óptica adaptativa e técnicas avançadas de processamento. Esse conjunto corrigiu distorções atmosféricas, reduziu o brilho ao redor de Nysa e revelou detalhes menores.

Kate Minker comparou o resultado às imagens produzidas por sondas espaciais. A qualidade veio da combinação entre instrumentos avançados e métodos específicos de tratamento dos dados.

Pequena lua ajudará a medir a massa de Nysa

As imagens também revelaram uma lua desconhecida, que recebeu a designação temporária S/2026 (44) 1. Duas campanhas de observação identificaram o objeto de forma independente.

A lua mede cerca de 1 quilômetro e orbita a pelo menos 170 quilômetros do asteroide. O brilho intenso de Nysa escondia sua luz fraca.

A equipe aplicou uma técnica de imagem de alto contraste para separar os dois objetos. “Emprestamos uma técnica de outra área da astronomia”, explicou Gianluca Li Causi.

O acompanhamento da órbita permitirá calcular com mais precisão a massa e a densidade de Nysa. Esses dados poderão esclarecer sua estrutura e a possível união entre blocos separados.

Colisões antigas podem explicar a forma incomum

Nysa pode ter surgido após fragmentos se reunirem em baixa velocidade depois de uma colisão. Outra hipótese envolve um impacto lateral entre corpos maiores.

Asteroides do tipo E podem guardar registros das regiões internas do Sistema Solar jovem. Alguns podem ser planetesimais preservados ou fragmentos de protoplanetas com camadas internas.

Confirmar a forma de Nysa ajudará a entender como colisões e fusões construíram pequenos mundos há bilhões de anos. Assim, o asteroide pode guardar uma assinatura física desse período.

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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