Dois buracos negros gigantes podem colidir em apenas 100 anos

Astrônomos detectam dois buracos negros supermassivos em órbita de Markarian 501 e estimam colisão em cerca de 100 anos.

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Imagem do buraco negro no centro de M87. I
Imagem do buraco negro no centro de M87. Imagem: Event Horizon Telescope Collaboration

Dois buracos negros supermassivos foram identificados em órbita muito próxima no centro da galáxia Markarian 501, a mais de 450 milhões de anos-luz da Terra. A descoberta, anunciada por uma equipe liderada por Silke Britzen, do Instituto Max Planck de Radioastronomia, na Alemanha, revela um sistema raro e pode antecipar uma colisão cósmica em cerca de 100 anos.

O achado chama atenção porque essa etapa final da dança entre dois gigantes gravitacionais sempre foi difícil de observar. E ela importa porque pode ajudar a explicar como buracos negros supermassivos crescem até atingir massas de milhões ou bilhões de vezes a do Sol.

Um enigma antigo no centro das galáxias

Buracos negros nascidos do colapso de estrelas já impressionam por si só. Mas os supermassivos operam em outra escala. Eles ocupam o centro de quase todas as grandes galáxias conhecidas, inclusive a Via Láctea, e concentram uma quantidade absurda de massa em uma região comparável, em tamanho, ao Sistema Solar.

Como esses objetos chegam a proporções tão extremas continua sendo uma das grandes perguntas da astronomia. A principal hipótese diz que eles crescem por fusões sucessivas. Galáxias colidem, se misturam e, no fim desse processo, seus buracos negros centrais também devem se encontrar.

O problema é que flagrar esse momento de proximidade extrema nunca foi simples.

O detalhe que entregou a dupla

Markarian 501 já era conhecida por abrigar um buraco negro supermassivo que lança um jato colossal de partículas quase na nossa direção, em velocidades próximas à da luz. Isso explica por que a galáxia parece tão brilhante.

Como buracos negros não podem ser vistos diretamente, os astrônomos procuram seus efeitos. Nesse caso, o principal sinal veio dos jatos. Foi aí que surgiu a surpresa: além do jato já conhecido, apareceu um segundo jato apontando para outra direção.

Esse segundo feixe funcionou como uma pista decisiva. Ele indicou que havia mais um buraco negro escondido no mesmo núcleo galáctico.

Ilustração mostra o centro da galáxia Markarian 501, a partir do qual dois jatos poderosos emanam. As observações de rádio são visíveis como contornos no fundo.
Ilustração mostra o centro da galáxia Markarian 501, a partir do qual dois jatos poderosos emanam. As observações de rádio são visíveis como contornos no fundo. Imagem: Emma Kun / HUN-REN Konkoly Observatory

Uma órbita rápida em escala cósmica

De acordo com o Universe Today, a equipe analisou 23 anos de observações em rádio de alta resolução, feitas em várias frequências e ao longo de dezenas de sessões. Com isso, conseguiu não apenas detectar o segundo jato, mas acompanhar seu movimento em um arco lento no sentido anti-horário.

Segundo os dados, esse movimento completa uma volta inteira a cada 121 dias. Para objetos tão extremos, isso é impressionante. Os pesquisadores estimam que os dois buracos negros estejam separados por algo entre 250 e 540 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

Pode parecer muito, mas em escala galáctica isso é quase nada. Ou seja, são dois monstros com centenas de milhões de massas solares cada um, girando em um espaço apertado e cada vez mais próximo da fusão.

O que pode acontecer a seguir

Modelos atuais indicam que essa dupla pode colidir em cerca de 100 anos. Se isso se confirmar, o encontro produzirá um dos eventos mais energéticos do Universo.

A fusão deve lançar ondas gravitacionais pelo espaço-tempo, como ondulações que se espalham quando algo gigantesco cai em um lago. A diferença é que, aqui, o “lago” é o próprio Universo.

A descoberta coloca Markarian 501 no centro de uma das buscas mais fascinantes da astronomia atual: observar, quase em tempo real, o passo final antes do choque entre dois dos objetos mais extremos já conhecidos.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.

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