China acelera plano para levar astronautas à Lua até 2030
Chineses testam módulo e foguete e mantém meta de levar astronauta à Lua até o final da década.

A China avança em seu programa lunar tripulado em colocar um astronauta na Lua até 2030. Enquanto os Estados Unidos retomam missões tripuladas ao redor do satélite natural, o país asiático acelera testes de veículos, trajes e sistemas de apoio que podem sustentar uma futura chegada humana à superfície lunar.
O plano ainda guarda muitos detalhes sob sigilo, mas o que já veio a público mostra um projeto amplo e de longo prazo. A ideia não se limita a “ir e voltar”. O programa também se conecta a ambições maiores, como a criação de uma base lunar e, mais adiante, estruturas voltadas até para missões humanas a Marte.
Onde o programa está agora
A China prepara diferentes equipamentos para executar um pouso tripulado. Um dos marcos recentes foi o teste, em agosto do ano passado, do módulo lunar que o país espera usar para colocar seu primeiro astronauta na Lua antes de 2030.
Esse veículo se chama Lanyue, expressão em mandarim que significa “abraçar a Lua”. Ele deve transportar astronautas entre a órbita lunar e a superfície. Depois da descida, o módulo também servirá como espaço de permanência, fonte de energia e centro de dados.
Os sistemas de subida e descida do módulo passaram por verificação em um local da província de Hebei, no norte da China, criado para simular a superfície lunar. O terreno de testes recebeu revestimento especial para imitar a refletividade do solo da Lua e também contou com pedras e crateras.
As peças que ainda precisam funcionar juntas
O programa não depende só do módulo lunar. A China também desenvolve e testa outros elementos decisivos para a missão.
Entre eles está o foguete pesado Long March 10, que deverá colocar a nave tripulada Mengzhou em órbita. O país também trabalha em trajes espaciais lunares, rovers tripulados, satélites de sensoriamento remoto e novos sistemas em solo para navegação e comunicações com a Terra.
Ou seja, trata-se de uma arquitetura completa. Em missões desse tipo, não basta ter uma nave. É preciso montar uma cadeia inteira de transporte, suporte, orientação e sobrevivência que funcione em conjunto, sem margem ampla para erro.
Depois de 2030, o plano fica maior
Se o pouso tripulado ocorrer antes de 2030, a China ganhará impulso para outro objetivo: construir até 2035 um “modelo básico” da Estação Internacional de Pesquisa Lunar.
Segundo Wu Weiren, designer-chefe do programa de exploração lunar chinês, essa estrutura incluiria uma instalação científica abrangente e algum grau de desenvolvimento e uso de recursos. Essa base, liderada por China e Rússia, pode incluir até um reator nuclear na superfície lunar como fonte de energia.
Wu também afirmou, em discurso de 2024, que até 2045 essa infraestrutura pode crescer e incluir uma estação orbital lunar como centro de operações. A proposta prevê apoio a pesquisas científicas, verificação de tecnologias e desenvolvimento de recursos, além de servir de base para futuras missões humanas a Marte.
Robôs abrem caminho para astronautas
Antes de enviar pessoas, a China vem acumulando dados com missões não tripuladas. Em junho de 2024, o país se tornou o primeiro a recuperar amostras do lado oculto da Lua, após enviar a Chang’e-6 para a bacia do Polo Sul-Aitken.
Outras duas missões, Chang’e-7 e Chang’e-8, devem ocorrer antes de 2030. Elas devem reunir mais informações sobre a região onde Pequim espera enviar astronautas e, depois, estabelecer presença humana permanente.
Essas missões robóticas já renderam um feito importante. A China se tornou o único país a trazer amostras lunares tanto do lado visível quanto do lado oculto da Lua. Agora, tenta transformar essa vantagem técnica em um próximo salto: a chegada de humanos.
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