Este cometa vai sobreviver ou virar poeira diante do Sol?
Cometa C/2026 A1 MAPS se aproxima do Sol e pode virar espetáculo ou se fragmentar após o periélio de 4 de abril.

O cometa C/2026 A1 MAPS se aproxima de seu momento mais perigoso e fascinante. Nos próximos dias, ele vai passar muito perto do Sol, em uma etapa chamada periélio, e ninguém sabe ao certo se sobreviverá inteiro ou se vai se fragmentar. Esse encontro extremo pode transformar o astro em um espetáculo raro no céu ou reduzir tudo a um rastro de poeira.
A passagem mais crítica ocorrerá em 4 de abril de 2026, às 10h13 no horário de Brasília. Nesse ponto, o cometa passará a cerca de 160 mil km acima da superfície do lado oposto do Sol. Até lá, astrônomos acompanham mudanças rápidas no brilho, no tamanho da coma e no comportamento do núcleo.
Brilho subiu rápido, mas depois travou
De acordo com a Sky & Telescope, entre 6 e 9 de março, o MAPS chamou atenção ao ficar quase 1,5 magnitude mais brilhante. Nesse intervalo, ele saiu de magnitude 12 para 10,5. Ao mesmo tempo, sua coma, a nuvem de gás ao redor do núcleo, aumentou 50%, passando de 6 minutos de arco para 9 minutos de arco.
Esse avanço animou observadores. Só que, entre 11 e 17 de março, o cenário perdeu força. O brilho entrou em platô e a coma, antes mais condensada, encolheu de volta para 6 minutos de arco.
Em cometas rasantes do Sol, essas mudanças bruscas podem anteceder tanto um grande espetáculo quanto um colapso.
Um alvo difícil até para telescópios
Mesmo com o ganho de brilho, o MAPS continua difícil de observar. O problema não é só sua luminosidade, mas também sua posição muito baixa no céu oeste no fim do crepúsculo. Ele aparece a menos de 10° de altitude, quase encostado no horizonte.
Quatro cenários para os próximos dias
Simulações desenham quatro possibilidades para o que pode acontecer. No pior cenário, o núcleo se desintegra antes do periélio por causa do calor extremo e das marés gravitacionais. Nesse caso, sobraria apenas um remanescente fraco.
Há também a hipótese de o cometa sobreviver à passagem, mas se partir logo depois. Isso produziria uma espécie de cometa “sem cabeça”, com uma cauda brilhante que poderia alcançar 15°.
Um terceiro cenário prevê um cometa de porte médio da família Kreutz, brilhante o bastante para atrair astrônomos amadores e alguma atenção do público.
O quarto é o mais dramático. Nessa possibilidade, o MAPS surgiria do brilho solar em 7 de abril com magnitude –10, exibindo uma cauda de 10°, que poderia crescer até 30° em meados do mês.
O tamanho do núcleo alimenta a disputa
Um artigo recém-publicado estimou o núcleo do MAPS em cerca de 400 metros, com base em observações do Telescópio Espacial James Webb. Esse tamanho é semelhante ao do cometa Lovejoy, que sobreviveu a uma passagem extrema e chegou a se tornar um objeto brilhante com longa cauda.
Porém, o alto nível de desgaseificação, processo em que o gelo vaporiza sob aquecimento solar, pode funcionar como pequenos jatos. Esses jatos agiriam como propulsores desiguais, acelerando a rotação do núcleo até ele se partir.
Ou seja, o MAPS pode repetir um caso de sobrevivência impressionante ou desaparecer antes mesmo de entregar o show.
Onde acompanhar a virada
A boa notícia é que a passagem poderá ser acompanhada pelos coronógrafos LASCO C3 e LASCO C2, da sonda SOHO. O cometa entrou no campo de visão do C3 nesta quinta-feira, 2 de abril, vindo do canto inferior esquerdo. Depois, contorna o Sol e deixa o campo do C2 no início da madrugada de 6 de abril.

Os próximos dias devem decidir se o MAPS será lembrado como um grande cometa rasante do Sol ou como mais uma promessa interrompida. Por enquanto, o mistério continua inteiro.
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