Artemis 2: NASA adia missão tripulada que vai viajar à Lua
Vazamento e falhas marcam ensaio geral de abastecimento do foguete SLS.

A NASA adiou para março de 2026 a decolagem da missão Artemis 2 após enfrentar desafios em um teste que simula a contagem regressiva e o abastecimento completo do foguete SLS.
A agência planejava um lançamento na próxima segunda-feira (8), mas optou pelo adiamento para revisar dados e repetir o ensaio, depois de lidar com um vazamento de hidrogênio líquido e encerrar a simulação a cerca de 5 minutos do fim.
A Artemis 2 fará uma viagem de cerca de 10 dias ao redor da Lua e de volta à Terra, no 1º voo humano além da órbita baixa desde dezembro de 1972. Veja o foguete ao vivo:
Por que a NASA mudou o calendário?
A NASA informou que os engenheiros “superaram vários desafios” durante teste ao longo de dois dias e cumpriram muitos objetivos planejados. Ainda assim, para permitir a revisão dos dados e a realização de um 2º teste, a agência passou a mirar março como a “primeira oportunidade” de lançamento.
A decisão mexe com uma missão histórica. A Artemis II levará Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, a bordo da cápsula Orion.
O que é o ensaio molhado e por que ele pesa tanto
O “wet dress rehearsal” (“ensaio geral molhado”) é um ensaio que antecede um lançamento real, incluindo a etapa mais crítica: o abastecimento do foguete com propelentes criogênicos.
No caso da Artemis 2, o ensaio durou 49 horas e começou oficialmente no sábado (31), às 22h13 (horário de Brasília), quando as equipes assumiram seus postos no Kennedy Space Center, na Flórida, nos EUA.
Ao longo do teste, a equipe energizou os dois estágios do SLS e carregou as baterias de voo da Orion. O ponto alto veio na segunda-feira (2) com o teste de carregamento de 2,65 milhões de litros de hidrogênio e oxigênio líquidos super resfriados no SLS.
Vazamento assombra a NASA
Vazamentos de hidrogênio líquido já tinham marcado o pré-lançamento da Artemis 1 e contribuíram para atrasos significativos. A missão estava prevista para o 2º semestre de 2022 e só decolou em novembro de 2022, ainda assim com sucesso, levando uma Orion não tripulada até a órbita lunar e de volta à Terra.
Na Artemis 2, o problema reapareceu. A NASA informou que, durante o abastecimento, engenheiros passaram várias horas solucionando um vazamento de hidrogênio líquido em uma interface usada para conduzir o propelente criogênico ao estágio central do foguete, o que atrasou a contagem regressiva.
As tentativas de correção incluíram interromper o fluxo de hidrogênio líquido para permitir o aquecimento da interface, de modo que as vedações assentassem novamente, e também ajustar o fluxo do propelente.
O vazamento foi detectado quando o tanque de hidrogênio do 1º estágio estava em cerca de 55% e, após pausas e retomadas, o abastecimento prosseguiu com a expectativa de queda no vazamento quando o sistema entrasse em modo de reposição, com menores taxas de fluxo.
A NASA chegou a completar o enchimento dos tanques de oxigênio líquido e hidrogênio líquido e mantê-los em nível adequado. Porém, a taxa de vazamento voltou a subir perto do fim da contagem simulada, e a agência encerrou o ensaio com cerca de 5 minutos restantes no relógio.
Outros problemas registrados no ensaio
Além do vazamento, a NASA relatou interrupções de áudio nas comunicações durante o teste, algo que também tinha ocorrido nas semanas anteriores.
Além disso, uma válvula associada à pressurização da escotilha do módulo tripulado da Orion (trocada recentemente) precisou de reaperto, e as operações de fechamento demoraram mais do que o previsto.
Porém, essas operações garantem que a Orion esteja segura e pronta para a entrada da tripulação, mas o embarque em si não é um marco do ensaio de abastecimento. Aliás, a tripulação está em quarentena desde o último dia 21 de janeiro e não participou do teste.
Janelas de lançamento em março e abril
Com o adiamento, a NASA listou 5 possíveis datas em março de 2026 para a decolagem a partir do Kennedy Space Center: 6, 7, 8, 9 e 11 de março. Se nenhuma delas funcionar, abre-se uma janela adicional com lançamentos possíveis em 1º, 3, 4, 5, 6 ou 30 de abril.
Com a mudança para março, os astronautas poderão sair da quarentena, voltando ao regime cerca de 14 dias antes da nova data alvo.
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