Enigma das pedras de Stonehenge pode estar mais perto do fim

Estudo não encontrou evidências de geleiras, reforçando a hipótese de que pessoas transportaram as bluestones.

Stonehenge back wide
Imagen: Wikimedia Commons/Reprodução

Um novo estudo da Curtin University, na Austrália, encontrou evidências fortes de que as bluestones (ou “pedras azuis) de Stonehenge foram levadas ao monumento por ação humana, e não por geleiras.

As bluestones são monólitos menores, pesando entre 2 e 4 toneladas, dispostos no círculo interno e ferradura do monumento.

Para testar a hipótese do gelo, pesquisadores analisaram sedimentos de rios próximos a Salisbury Plain, no sul da Inglaterra, em busca de uma assinatura mineral típica de transporte glacial, mas não encontraram esse sinal.

O resultado reposiciona um debate antigo da arqueoastronomia, mais ainda sem explicar como as pedras foram movidas.

O que o estudo muda no debate

A pesquisa representa o suporte científico mais claro até agora para a ideia de que pessoas, e não geleiras, levaram as bluestones até Stonehenge. Ao enfraquecer a explicação do transporte por gelo, o trabalho reforça a leitura de que houve planejamento e esforço deliberados para mover rochas pesadas por longas distâncias.

O estudo discute especialmente como a “Altar Stone” e outras rochas maciças chegaram ao monumento, um problema que intriga pesquisadores há gerações. A conclusão principal é que a rota glacial não encontra respaldo geológico na área.

Como foi feito

stonehenge superior
Imagem: YouTube/Reprodução

A equipe aplicou um método de “impressão digital” mineral para investigar grãos microscópicos presentes em rios perto de Salisbury Plain. A lógica é que esses fragmentos funcionam como registros geológicos, preservando pistas sobre como sedimentos se deslocaram pela Grã Bretanha ao longo de milhões de anos.

Com instrumentos, os cientistas analisaram mais de 500 cristais de zircão. O zircão é um dos minerais mais resistentes da Terra, característica que o torna adequado para rastrear processos geológicos antigos.

O que não apareceu nas amostras

O autor principal, Dr. Anthony Clarke, afirma que se geleiras tivessem carregado rochas desde lugares como Escócia ou País de Gales até Salisbury Plain, elas deixariam uma assinatura mineral clara.

Clarke explica que rochas transportadas pelo gelo se desgastariam com o tempo e liberariam pequenos grãos que poderiam ser datados para revelar idade e origem. A equipe procurou esses grãos nas areias dos rios perto de Stonehenge e não os encontrou, o que, na leitura do estudo, torna mais plausível a hipótese alternativa: o transporte humano das pedras.

O que segue sem resposta

Stonehenge sun
Imagen: Wikimedia Commons/Reprodução

Mesmo com a hipótese glacial enfraquecida, a mecânica do transporte humano permanece indefinida. Clarke menciona possibilidades já levantadas, como levar as pedras por água a partir da Escócia ou do País de Gales, ou movê las por terra com troncos rolantes.

O próprio pesquisador ressalta que nenhuma dessas explicações pode ser confirmada com os dados apresentados e que talvez nunca se saiba o método exato.


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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Hemerson é editor, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.