ISS fica “engarrafada” com 8 naves acopladas ao mesmo tempo
Estação Espacial Internacional ocupa todos os portos de acoplagem da configuração atual, em um raro “engarrafamento” em órbita

A Estação Espacial Internacional está cheia como nunca. Pela 1ª vez, todos os 8 portos de acoplagem da configuração atual do complexo orbital estão ocupados ao mesmo tempo, segundo comunicado da NASA.
A marca foi alcançada após a chegada de uma nova nave Soyuz, exigindo até mesmo a “manobra de vaga” de uma nave de carga para dar espaço ao táxi espacial dos astronautas, um cenário que mostra a complexidade da operação em órbita baixa da Terra.
Estação Espacial em “lotação máxima”
Desde o início de sua montagem em 1998, a estação foi ganhando módulos e portas de acoplagem, mas só agora a configuração atual teve todos os 8 pontos simultaneamente ocupados por naves de carga e tripuladas.
Na prática, isso significa que cada “vaga de estacionamento” disponível para espaçonaves visitantes está sendo usada ao mesmo tempo. Isso é um retrato visual da intensidade das operações em órbita.
Além disso, é um teste real da capacidade de coordenação entre diferentes países, veículos e rotas de entrada e saída da estação.
Como a ISS se reorganizou para receber a nova Soyuz
Antes da chegada da nave russa Soyuz MS-28, que transportou o astronauta da NASA Chris Williams e os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev, a ISS precisou fazer uma pequena dança orbital de logística.
A partir do Centro Espacial Johnson, em Houston, a equipe de controle utilizou o braço robótico Canadarm2 para reposicionar a nave de carga Cygnus-23, da Northrop Grumman. O objetivo era “fornecer a folga apropriada” para que a nave tripulada pudesse se acoplar com segurança, segundo o comunicado.
Depois da manobra, a Cygnus-23 foi reinstalada no porto voltado para a Terra do módulo Unity. A Soyuz MS-28 então se acoplou ao módulo russo Rassvet no último dia 28 de novembro, para uma missão prevista de aproximadamente 8 meses.
Quais são as 8 naves acopladas à ISS

Atualmente, a ISS abriga um total de 8 espaçonaves, ocupando todos os portos da configuração atual. A lista é a seguinte:
- Soyuz MS-28, no módulo russo Rassvet, trazendo Chris Williams (NASA), Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev (Roscosmos).
- Soyuz MS-27, acoplada ao módulo russo Prichal, com retorno previsto para 8 de dezembro, levando de volta à Terra Jonny Kim (NASA) e os cosmonautas Sergey Ryzhikov e Alexey Zubritsky.
- Progress-92, nave de carga russa acoplada ao módulo Poisk.
- Progress-93, outra nave de carga russa, acoplada ao módulo Zvezda.
- HTV-X1, cargueiro japonês, ligado ao porto nadir do módulo Harmony (Node 2), isto é, o lado da estação voltado para a Terra.
- Cygnus-23, cargueiro da Northrop Grumman, instalado no porto voltado para a Terra do módulo Unity.
- SpaceX Dragon CRS-33, cápsula de carga, acoplada ao porto frontal do módulo Harmony.
- SpaceX Dragon Crew-11, cápsula tripulada, ligada ao porto voltado para o espaço do mesmo módulo Harmony.
O módulo Harmony possui 6 portos no total, mas 3 deles são usados como pontos de conexão para outros módulos da ISS, como Destiny, Columbus e Kibo.
Quem compõe a tripulação de longa duração
Entre as naves acopladas, apenas uma cápsula Dragon está dedicada a uma missão tripulada de longa duração. Trata-se da Crew-11, que abriga parte da Expedição 73, grupo atual de moradores de longo prazo da ISS.
A bordo da Crew-11 estão Zena Cardman e Michael Fincke, da NASA, Kimiya Yui, da agência japonesa JAXA, e Oleg Platonov, da Roscosmos. O quarteto deve retornar à Terra em algum momento de 2026, em data ainda não informada.
Essa composição internacional é característica da ISS, que funciona como um laboratório orbital compartilhado por múltiplas agências, onde experimentos de física, biologia e tecnologia espacial podem ser conduzidos em microgravidade por longos períodos.
Por que essa “fila” de naves é importante
O fato de a ISS operar com 8 naves acopladas ao mesmo tempo tem implicações diretas para o futuro da exploração espacial.
Em primeiro lugar, o cenário mostra que a estação está utilizando ao máximo a infraestrutura de sua configuração atual. Isso exige planejamento detalhado de janelas de lançamento, rotas de aproximação, prioridades de carga e rodízio de tripulações, elementos essenciais para qualquer futura estação espacial ou plataforma em órbita da Lua.
Em segundo lugar, a presença simultânea de espaçonaves de diferentes países e empresas reforça a dependência de coordenação internacional e de padrões técnicos compatíveis. A ISS se torna, assim, um laboratório operacional para testar, na prática, como integrar veículos de múltiplos parceiros em um ambiente complexo e com recursos limitados, como portos de acoplagem e tempo de tripulação.
Por fim, essa lotação máxima indica que há um fluxo intenso de suprimentos, equipamentos e pessoas entrando e saindo do laboratório orbital. Cada nave de carga representa uma oportunidade de levar materiais científicos e trazer amostras e dados de volta à Terra. Essa logística de alto nível é o que sustenta o avanço contínuo da ciência em microgravidade.
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