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Há 92 anos Edwin Hubble descobriu a existência de outras galáxias

Há 92 anos Edwin Hubble descobriu a existência de outras galáxias

Até o início da década de 1920, acreditava-se que a Via Láctea era a única galáxia do Universo. Imagem: Adam Evans

O ano era 1924. O universo naquele ano ainda era bem pequeno, pelo menos, era o que se tinha conhecimento até então. Até o início do século 20, os astrônomos acreditavam que os 8 planetas do Sistema Solar, alguns cometas, outros tantos asteróides, o Sol, alguns objetos nebulosos e todas as estrelas do Universo estavam contidas em apenas uma única galáxia, a nossa galáxia, a Via Láctea.

A comunidade científica da época ainda estava ruminando as ideias revolucionários de Albert Einstein, quando um jovem astrônomo americano chutaria o balde na perspectiva do tamanho do universo.

Edwin Hubble nasceu em 20 de novembro de 1889, nos Estados Unidos. Estudou direito, por influência do pai, mas acabou abandonando a carreira de advogado para seguir a sua paixão pela astronomia. Em 1914, começou suas pesquisas no Observatório Yerkes, dedicando-se ao estudo das nebulosas. Em 1919, começaria a trabalhar no Observatório Monte Wilson, local onde proporcionou a evidência definitiva para uma das maiores descobertas da história da astronomia.

CEFEIDAS

Por volta de 1910, os astrônomos já sabiam que ao calcular a relação entre o período e a luminosidade de um tipo particular de estrelas variáveis, conhecidas como Cefeidas, seria possível medir distâncias no espaço. Trocando em miúdos, as Cefeidas são estrelas bastante luminosas e que aumentam e diminuem de tamanho periodicamente. Medindo o brilho da estrela visto da Terra e calculando a relação do tempo que ela demora para expandir e contrair é possível saber se ela está mais próxima ou mais distante do nosso planeta. Uma forma engenhosa de medir distâncias no Universo.

Em 1922, Edwin Hubble começou a utilizar essa técnica de medição para descobrir a distância de algumas nebulosas conhecidas naquela época. Quando Hubble apontou seu telescópio para as Cefeidas da então “Nebulosa” de Andrômeda, notou que elas estavam muito distante, algo próximo de 900 mil anos-luz. Era uma baita distância, considerando que na época acreditava-se que a nossa galáxia teria um tamanho em torno de 90 mil anos-luz.

Em dezembro de 1923, Hubble chegou à conclusão que estando nesta distância, a nebulosa só poderia ser um sistema estelar, um “universo ilha”, distante e diferente da nossa Via Láctea. O Universo se tornava 10 vezes maior do que se imaginava.

A descoberta foi publicada inicialmente no dia 23 de novembro de 1924, numa pequena nota, na página 6 do jornal The New York Times. Em 1925, Hubble faria uma conferência anunciando formalmente a descoberta, causando alvoroço na comunidade científica.

Com instrumentos modernos, a distância da Galáxia de Andrômeda foi calculada em 2,5 milhões de anos-luz, quase 3 vezes mais distante que o astrônomo havia inicialmente previsto. Edwin Hubble errou no cálculo, pois na época não se sabia que existia dois tipos de estrelas Cefeidas.

Até o fim daquela década, Hubble descobriu outras galáxias, algumas distantes a 13 milhões de anos-luz da Terra. Atualmente, sabemos que o Universo possui mais de 100 bilhões de galáxias, isso somente no Universo observável. A mais distante conhecida está a 13 bilhões de anos-luz da Terra.

Astrônomo Edwin Hubble observando através de um telescópio
Edwin Hubble de boa, descobrindo galáxias. Imagem: Huntington Library

UNIVERSO EM EXPANSÃO

Edwin Hubble descobriu ainda que as galáxias estavam se afastando da Terra. Analisando a luz emitida pelas galáxias, ele notou que as raias do espectro estavam deslocadas para o vermelho. Isso era um indicativo que elas estariam deslocando-se para longe da Terra, em altíssima velocidade. Quanto mais distante a galáxia estava, mais veloz ela fugia de nós. Se hoje elas estão distantes e se afastando entre si, no passado elas deveriam estar mais próximas. A ideia pavimentou as bases para a teoria moderna do Big-Bang.

É verdade que na década anterior outros astrônomos, como V.M. Slipher, já tinha obtido espectros de algumas “nebulosas” e demonstrado que elas estariam se afastando muito rapidamente de nós e que talvez elas não fizessem parte de nossa galáxia. Mas foi Hubble que apresentou as evidências definitivas da existência das galáxias.

Ironicamente, a Galáxia de Andrômeda, ao contrário das outras, não está afastando de nós. Muito pelo contrário, ela está vindo na nossa direção. No futuro, as duas galáxias devem colidir e formar uma única e gigantesca galáxia. Por baixo, isso ainda deve demorar alguns bilhões de anos para isso ocorrer, mas os astrônomos já escolheram o nome dessa futura galáxia: Lactômeda.

Se você leu até aqui, já deve ter percebido porque a Nasa escolheu o nome “Hubble” para batizar o seu primeiro telescópio espacial.



1 futuro astrônomo comentou 260 futuros astrônomos viram

Hemerson Brandão

Jornalista freelancer escrevendo sobre ciência, tecnologia e exploração espacial. Nas horas vagas medita sobre a vida, o universo e tudo mais.

  • Kal-Leo Mauro_Science4Life

    Fascinante.