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Brasileiros descobrem dois planetas ao redor de estrela gêmea do Sol

Brasileiros descobrem dois planetas ao redor de estrela gêmea do Sol

A pesquisa aponta que um terceiro planeta pode ter sido engolido pela estrela. Crédito da imagem: ESO/L.Calçada



Uma equipe de astrônomos liderados pelo prof. Jorge Meléndez, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), acaba de publicar um estudo anunciando a descoberta de candidatos a exoplanetas ao redor de uma estrela a 300 anos-luz da Terra.

Catalogada como HIP 68468, a estrela fica na constelação de Centauro e é classificada como gêmea solar por possuir tamanho e composição parecidos com o nosso Sol. Para a descoberta, foram utilizados dados do HARPS, um instrumento utilizado para caçar exoplanetas (planetas em outros sistemas estelares), instalado no Observatório La Silla, no Chile.

A pesquisa brasileira identificou dois exoplanetas. Um deles é do tipo rochoso, com três vezes a massa da Terra. O outro, do tipo gasoso, é 26 vezes maior que nosso planeta, parecido com Netuno, mas com quase o dobro da massa. Ambos foram classificados como super-Terra e super-Netuno, respectivamente.

Se confirmado, esta será a primeira super-Terra descoberta ao redor de uma estrela parecida com o Sol.

MIGRAÇÃO PLANETÁRIA

As semelhanças com nosso Sistema Solar terminam por aí. Os planetas estão próximos demais de HIP 68468. O planeta menor está a apenas 5 milhões de km da estrela, um décimo da distância entre Mercúrio e o nosso Sol. E o planeta maior, que deveria estar na periferia do sistema, está mais próximo que a Terra está do Sol. Ele estaria onde fica a órbita do planeta Vênus, cerca de 100 milhões de km de HIP 68468.

Para ter essa configuração, é provável que tenha ocorrido o fenômeno conhecido como “migração planetária”. Pelas teorias conhecidas de formação de sistemas estelares, os planetas são formados em órbitas mais distantes da estrela e a partir das interações gravitacionais entre eles ao longo do tempo, eles podem se aproximar ou afastar de sua estrela hospedeira. Os planetas podem até mesmo ser arremessados para fora do sistema.

No caso do sistema de HIP 68468, acredita-se que o planeta maior formou-se mais distante da estrela e desde então está migrando para o interior do sistema. Não só isso, mas ele também está empurrando o planeta menor na direção da estrela, fazendo com que, no futuro o planeta menor corra o risco de ser engolido por ela.

Migração planetária parece ser um fenômeno aparentemente comum, e segundo os melhores modelos teóricos, já deve ter ocorrido migração de planetas até mesmo em nosso Sistema Solar, afirma o prof. Jorge.

EX-EXOPLANETA

A química da estrela também foi alvo de estudo. Sendo 2 bilhões de anos mais velha que nosso Sol, os astrônomos notaram que HIP 68468 possui uma excesso de lítio em sua composição (além de outros elementos). A quantidade de lítio é 4 vezes maior do que se espera para estrelas de sua idade.

Para explicar todo esse lítio, astrônomos acreditam que durante o processo de migração planetária, o super-Netuno deve ter empurrado outros planetas para serem absorvidos pela estrela, aumentando assim quantidade de lítio em HIP 68468. Um planeta rochoso com 6 vezes o tamanho da Terra já explicaria a composição atual da estrela.

O lítio é o elemento químico número 3 da tabela periódica, possuindo 3 prótons e 3 elétrons. É o metal mais leve que conhecemos. No nosso planeta ele é encontrado disperso, mas não no seu estado natural, por ser muito instável. Somente em nossos oceanos deve existir mais de 200 bilhões de toneladas de lítio. Atualmente o metal é bastante utilizado na fabricação de baterias recarregáveis.

MILHARES DE EXOPLANETAS

Até agora já foram descobertos mais de dois mil exoplanetas, no entanto, somente uma pequena fração deles foi detectada ao redor de gêmeos solares. A importância de descobrir planetas ao redor dessas estrelas é que podemos estudar a composição química deles com maior precisão.

Estes não foram os primeiros exoplanetas descobertos pela equipe de Meléndez. Os brasileiros descobriram um planeta gêmeo de Júpiter em órbita da estrela HIP 11915, situada a 186 anos-luz do Sistema Solar, na constelação de Baleia. O exoplaneta possui aproximadamente a mesma massa de Júpiter e também a mesma distância de Júpiter do Sol. O prof. da USP acredita que essa estrela também poderia hospedar planetas rochosos, como a Terra.

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Hemerson Brandão

Jornalista freelancer escrevendo sobre ciência, tecnologia e exploração espacial. Nas horas vagas medita sobre a vida, o universo e tudo mais.

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